sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Misericordia XXIII, ou, Não ao uso e tráfico de drogas.

Sei que ex presidente brasileiro defende a descriminalização/ legalização  das drogas. Sei que movimentos nacionais e internacionais, alguns de existência e finalidade bem discutíveis,  defendem a descriminalização/legalização  das drogas. Sei que intelectuais, alguns até de Policia,  alguns até considerados sábios,  defendem a descriminalização/ legalização das drogas, etc. Sei que é para esse caminho que o bonde da história caminha.

Mas, como Policial, não concordo e peço ao poderoso Deus de todos os Exércitos que me mantenha com essa opinião. Não concordo com a descriminalização/legalização das drogas em respeito a nossos filhos, netos e em respeito aos filhos e netos de todas as pessoas a quem quero bem. Também não concordo  em respeito a todos os milhares de Policiais brasileiros e estrangeiros que deram suas vidas em nome do combate ao mal do século. Em combate aos mercadores da morte. Aos destruidores de famílias e lares, aos implacáveis destruidores da sociedade.  E fico muito , mas muito decepcionado , angustiado , indignado e com o coração e mente castrense/gendarme profundamente machucados, quando de dentro da mais antiga Organização Policial do Brasil, voz que deveria dar o exemplo  do exercício da lídima função da Policia, zelar pela Paz Social através da manutenção/preservação da Ordem Pública, vem a público,  talvez até com a melhor das intenções,  mas de forma bisonha, defender o não combate ao tráfico de drogas, conforme o Jornal O Dia de hoje, pag 6. Sim, por que se o uso passa ser escancaradamente  legal, como e porque combater o tráfico? Como manter /preservar a Ordem Pública na incessante e permanente busca da Paz Social no âmbito de uma sociedade diuturna e ostensivamente entregue ao uso da maconha, cocaína, ópio, anfetaminas, loló, cola, crack,   etc.  Fininhos se transformarão em charutões, não tenham dúvida. Papelotes e pinos se transformarão em baldes, carreirinhas se transformarão em enormes trilhas, e pedrinhas em grandes rochas de crack. E o ópio, o ópio vai tornar altamente rentável a fabricação de milhões de narguilés e seringas especiais.

Assim é o Brasil, infelizmente não tem limites. A sociedade não espera isso de um Policial. O Policial é o seu cão de guarda e acabou. Os papeis sociais tem que ser transparentes e funcionarem. O lobo tem que temer o cão, e não o cão aliar-se ao lobo, por não acreditar  em sua  sua própria capacidade de luta.  A sociedade já tem seus filósofos, sociólogos, antropólogos, e demais ólogos, importantíssimos em qualquer contexto social . Mas, a sociedade, antes de tudo,  precisa de quem a guarde, precisa de seu Policial. E um legitimo representante das hostes guerreiras de Vidigal e Castrioto não tem o direito de aliar-se ao inimigo. Posição altamente perigosa e preocupante para todos nós. É lamentável, extremamente lamentável.

Não ao uso, não ao tráfico. Não as armas de guerra usadas pelo tráfico. Não a  morte de Policiais. Sim ao controle rigoroso das fronteiras secas, molhadas, aéreas. Sim as tecnologias modernas no combate as drogas e ao tráfico.  Sim aos programas , projetos e campanhas  preventivos de conscientização ao não uso de drogas. Seeellvvaaaa !!!!

terça-feira, 3 de novembro de 2015

O cada vez mais em ebulição cadinho de discussões do vertiginoso Ciclo Completo de Policia.


  

Ciclo completo e a desmilitarização da Polícia

Publicado por Canal Ciências Criminais
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- 3 dias atrás

LEIAM 8 NÃO LEIAM
Ciclo completo e a desmilitarizao da Polcia
Por Francisco Sannini Neto e Henrique Hoffmann Monteiro de Castro
Não foi por acaso que a Constituição
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da República conferiu os poderes de prevenção (policiamento e patrulhamento ostensivo) à Polícia Militar, à Polícia Rodoviária Federal e à Guarda Municipal (art. 144
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, §§ 12º, 5º
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), de um lado, e de repressão (investigação criminal) à Polícia Civil e à Polícia Federal (art. 144
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, §§ 12º e 5º
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), de outra banda. Cuida-se de conquista histórica, que objetiva evitar a hipertrofia de quaisquer das instituições policiais, servindo como contenção ao arbítrio estatal.
A outorga da atribuição precípua de investigar crimes comuns às polícias judiciárias, dirigidas por Delegados de Polícia de carreira, não assusta, porquanto, no âmbito policial, é este o único agente público que faz parte de uma carreira jurídica, como confirmado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (ADI 3441, Rel. Min. Carlos Britto; ADI 2427, Rel. Min. Eros Grau; ADI 3460, Rel. Min. Ayres Brito) e pelo legislador no art. 2º
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/13.
Já quanto aos oficiais da Polícia Militar, ainda que tenham formação de grau superior, o STF já deixou claro que suas atribuições não são “sequer assemelhadas às da carreira jurídica” (RE 401243, Rel. Min. Marco Aurelio). O Superior Tribunal de Justiça, de igual forma, sentenciou que a atividade do miliciano “não caracteriza atividade relacionada a carreiras jurídicas” (RMS 26.546, Rel. Min. Benedito Gonçalves). A mesma conclusão atinge os policiais rodoviários federais e os guardas municipais, aplicando-se o brocardoubi idem ratio, ibi idem jus (onde houver a mesma razão, aplica-se o mesmo direito).
Não por outra razão a doutrina sublinha que todo policial militar, do mais moderno soldado ao mais veterano coronel, é considerado um agente da Autoridade Policial, vale dizer, do Delegado de Polícia. De igual maneira ocorre com o patrulheiro e o guarda municipal (NUCCI, 2010, p. 827; TORNAGHI, 1959, p. 406). Constatação essa que não importa em qualquer demérito para a importante função desempenhada pelos policiais fardados, mas apenas esclarece qual a missão de cada um na persecução penal, colocando cada personagem em seu respectivo lugar (ROSA, KHALED JR., 2015).
Por isso mesmo, o Supremo Tribunal Federal tem assentado a incompatibilidade da Polícia Fardada com a tarefa investigativa, que deve ser presidida pelo Delegado de Polícia (STF, Tribunal Pleno, ADI 2.427, Rel. Min. Eros Grau; STF, Tribunal Pleno, ADI 3441, Rel. Min. Carlos Britto).
Vistas essas premissas jurídicas, não se nega que o sistema de Segurança Pública brasileiro, tão combalido pela falta de investimentos, pode ser aperfeiçoado a fim de que consiga maior eficácia na prevenção e repressão à criminalidade. Tanto que há diversas proposições legislativas que almejam esse desiderato.
Nesse campo de ideias, o sucateamento do aparato investigativo estatal é campo fértil para o surgimento de concepções polêmicas e mirabolantes, escoradas num legislador cada vez mais ávido em satisfazer a opinião pública com um Direito de emergência. Algumas propostas, por iniciativa e apoio de parlamentares oriundos da caserna, ignoram a pluralidade de mecanismos de controle social (PENTEADO FILHO, 2012, p. 21) e reduzem o problema da criminalidade à Polícia, mais especificamente à investigação criminal. Com essa visão distorcida, propõe-se que policiais fardados possam investigar civis, como se essa aberração representasse o remédio para todos os males. Com a lente enviesada, enxergam num problema a solução.
É nesse contexto que se desenvolve o presente estudo, que tem o intuito de discutir o famigerado ciclo completo de polícia. Trata-se de modelo no qual as tarefas de prevenção de delitos e investigação criminal se reúnem na mesma Polícia. Isto é, a própria instituição policial responsável pela captura do sujeito em flagrante delito poderia formalizar o termo circunstanciado, auto de prisão ou apreensão em flagrante e toda a investigação ulterior, colhendo provas, decidindo sobre a segregação provisória da liberdade do suspeito e realizando o controle de legalidade da ação policial, coibindo eventuais abusos.
Nota-se que ciclo completo de polícia não pode ser considerado inaceitável por si só. O que é inconcebível é a militarização desse arquétipo, criando uma Polícia Militar com superpoderes, a exemplo do que se pretende com a Proposta de Emenda à Constituição 431/2009.
A monstruosidade de uma investigação criminal presidida por miliciano salta aos olhos. Agride o ordenamento jurídico e o bom senso imaginar um policial fardado, integrante de carreira não jurídica, lavrando autos de prisão em flagrante, fazendo análises sobre tipificação material, concurso de crimes, nexo de causalidade, tentativa qualificada, crime impossível, justificantes e dirimentes, conflito aparente de leis penais, imunidades, erro de tipo, entre outras. O Delegado de Polícia, por outro lado, com profunda formação jurídica e em direitos humanos, carrega na alma o peso da responsabilidade de cercear a liberdade de locomoção alheia.
Não podemos olvidar que a prisão em flagrante constitui um instrumento constitucional de imediata proteção aos direitos fundamentais, proteção esta que é veiculada por meio de uma norma penal incriminadora que estaria sendo violada ou que acabara de ser. Percebe-se, pois, que a restrição de um direito fundamental (liberdade de locomoção) só se justifica pela proteção do direito fundamental contido no tipo penal violado, sendo que apenas uma autoridade oriunda do meio jurídico pode ser capaz analisar as inúmeras circunstâncias que influenciam na caracterização de um crime. Tudo, é claro, com a observância da carta constitucional de direitos e garantias fundamentais do suspeito (cf
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. SANNINI NETO, 2014).
Justamente por isso, entendemos que não se deve sequer discutir a proposta de ciclo completo antes de se extirpar o militarismo da Segurança Pública brasileira. É dizer: a desmilitarização precede o debate. Aliás, o constituinte originário, quando atribuiu caráter civil à polícia de ciclo completo da União, qual seja, a Polícia Federal (art. 144
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), indicou seguir esse entendimento.
Sobre o militarismo, uma visão bastante fidedigna pode ser extraída do estudo confeccionado por um tenente-coronel da Polícia Militar, que, da sua ampla experiência na caserna, constatou que a PM:
“Adota uma posição antagônica com a população. Busca não adquirir o respeito, mas sim impor o medo. (…) Infelizmente não ocorreu, com o fim de regime militar, idêntico fim da doutrina que lhe embasou. (…) Eles estão numa guerra e, nesse contexto, instala-se a lógica da eliminação do inimigo no campo de batalha. Confundem justiça com vingança e esse sentimento norteia suas ações. (…) Eles mesmos assumiram, num só corpo, o papel de juiz, promotor, delegado e advogado. (…) Em um estado democrático de direito, o melhor é ter organizações policiais de caráter civil” (SOUZA, 2012).
Basta um pouco de conhecimento de história do Brasil para saber que militarizar a investigação criminal não é boa ideia. Admitir, em pleno século XXI, a investigação de crimes comuns pela Polícia Fardada, configura verdadeira repristinação do Ato Institucional 5
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/68 e do Decreto-Lei 898
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/69, que possibilitavam a condução, prisão e investigação de civis por militares.
Na mesma linha está o entendimento do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, que em 2012, ao aprovar parte do relatório elaborado pelo Grupo de Trabalho sobre o Exame Periódico Universal (EPU) do Brasil, sugeriu a abolição do “sistema separado de Polícia Militar, aplicando medidas mais eficazes (…) para reduzir a incidência de execuções extrajudiciais”. A Anistia Internacional, quando lançou o panorama do estado dos direitos humanos no mundo (Informe Anual 2014/15), não chegou a conclusão diferente. Em idêntico sentido, a Comissão Nacional da Verdade propôs a desmilitarização das polícias militares estaduais:
“A atribuição de caráter militar às polícias militares estaduais, bem como sua vinculação às Forças Armadas, emanou de legislação da ditadura militar, que restou inalterada na estruturação da atividade de segurança pública fixada na Constituição brasileira

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de 1988. (…) Torna-se necessário, portanto, promover as mudanças constitucionais e legais que assegurem a desvinculação das polícias militares estaduais das Forças Armadas e que acarretem a plena desmilitarização desses corpos policiais” (Comissão Nacional da Verdade. Relatório. Vol. I. Pt. V. Conclusões e recomendações. P. 971).
Foi justamente no intuito de evitar a militarização da investigação criminal no Brasil que a Secretaria Nacional de Direitos Humanos editou a Resolução 8/12, buscando, dentre outras coisas, coibir a investigação de crimes comuns pelo Serviço Reservado da Polícia Militar (P2).
Ora, se a sociedade moderna, por meio de organizações internacionais e nacionais de proteção aos direitos humanos, além de juristas, estudiosos das ciências sociais e até mesmo militares, defende que sequer o policiamento ostensivo deve ser feito por instituição militar, com maior razão não pode prevalecer um regime castrense de investigação criminal.
A grotesca ideia de militarizar a investigação criminal esbarra também na jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que já condenou o Brasil por esse motivo no Caso Escher e Outros vs. Brasil (data da sentença: 06/07/2009), além de sentenciar no Caso Castillo Petruzzi e Outros vs. Perú (data da sentença: 30/05/1999) que a persecução penal de civis levada adiante por militares rompe com o princípio democrático.
Fácil perceber que o discurso que trata o ciclo completo de polícia como uma panaceia para os problemas da Segurança Pública não consegue camuflar ambições corporativistas dos policiais fardados:
“O debate em prol do ciclo está sendo capitaneado pelos oficiais da PM, suas associações de classe e os seus deputados eleitos. É uma luta dos oficiais da PM travestida de algo que irá beneficiar a sociedade, mas que na realidade irá dar ainda mais poder para o oficialato das corporações. (…) Há questões organizacionais importantes a serem consideradas. As PMs não possuem prática, não têm formação e não têm histórico de investigação de crimes. Via de regra, quando fazem isso, o fazem adotando a violência, a ameaça e a humilhação das pessoas. Para as PMs ter ciclo completo de polícia, elas precisariam mudar radicalmente a sua formação e a cultura organizacional que possuem hoje”(ALCADIPANI, 2015).
Como se não bastasse, vale destacar que mudança dessa natureza significaria flagrante violação ao princípio da vedação do retrocesso (SARLET, 2009, p. 433 e ss). Justificar a ampliação de poderes da Polícia Militar sob a escusa das máculas estruturais das Polícias Judiciárias traduz falácia levada a cabo em prejuízo da franquia de liberdades constitucionais. Como já sustentamos anteriormente:
“A Polícia Ostensiva não tem legitimidade para se tornar órgão persecutório do Estado, por melhor que sejam as intenções. O direito à segurança pública da sociedade não pode ser uma senha para toda sorte de abusos e arbitrariedades” (CASTRO, 2015).
A sanha utilitarista não pode servir de pretexto para que policiais fardados passem a lavrar termo circunstanciado no capô da viatura, conduzir civis para destacamentos militares, ou prender pessoas em flagrante, num retrocesso que jogaria por terra garantias que não foram conquistadas do dia para a noite. Ao amparar-se no enganoso discurso de combate à criminalidade, a Polícia Fardada, pretende promover sua hipertrofia à custa de conquistas históricas. Afinal, é um direito fundamental do cidadão ser investigado tão somente pelo delegado natural. O alerta do Supremo Tribunal Federal vem a calhar:
“É preciso advertir esses setores marginais que atuam criminosamente na periferia das corporações policiais que ninguém, absolutamente ninguém – inclusive a Polícia Militar – está acima das leis” (STF, ADI 1494, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 09/04/97).
É esse, aliás, o espírito de um Estado Democrático e Humanitário de Direito, onde todos devem respeito à lei, não podendo se admitir que a justiça seja feita a qualquer custo, ao arrepio dos direitos e garantias individuais. Sendo assim, toda instituição policial precisa se pautar por essa premissa, afinal, a Segurança Pública é um bem jurídico basicamente instrumental, o que significa que ela não constitui um fim em si mesma, mas um meio através do qual vários outros bens jurídicos são assegurados (v. G. Vida, patrimônio, liberdade individual, dignidade sexual, justiça etc.). Toda vez que a Segurança Pública ou outras expressões similares (v. G. Segurança Nacional, Ordem Pública etc.) são colocadas em primeiro plano ou como fins e não instrumentos para assegurar outros bens jurídicos, descamba-se facilmente para o autoritarismo e a violação dos direitos fundamentais na conformação de um chamado “Estado Policial”.
Parece-nos que essa proposta de ciclo completo de polícia, nos moldes propostos pela Polícia Militar, representaria, de fato, um enorme retrocesso para o país, que se distanciaria ainda mais de um Estado que zela pelos direitos e garantias individuais, caminhando na direção contrária dos países mais desenvolvidos. Deveras, há muitas falhas na nossa Segurança Pública e a sensação de insegurança na sociedade é cada vez maior. Contudo, para que tenhamos uma mudança nesse cenário, é preciso que o tema seja discutido de maneira séria, sem qualquer tipo de corporativismo. Mais do que isso. É preciso investimento nas instituições policiais, com melhores salários e condições de trabalho. Esse é o caminho! Para tanto, nossos governantes precisam ousar, mas essa palavra não é a predileta daqueles que estão no poder.
A título de inspiração, encerramos o trabalho com o conselho de CIORAN (2014, p. 42):
“Amemos nossas grandes alegrias e nossos grandes desesperos, mas odiemos mortalmente a inércia, a dúvida e a passividade; odiemos também tudo o que faz diminuir o ardor apaixonado da alma, como também tudo o que impeça nosso absurdo impulso na direção do mundo”.


REFERÊNCIAS
ALCADIPANI, Rafael. A farsa do debate do ciclo completo de polícia. Disponível aqui.
CASTRO, Henrique Hoffmann Monteiro de. Termo circunstanciado deve ser lavrado pelo delegado, e não pela PM ou PRF. 2015. Disponível aqui.
CIORAN, Emil
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M. O livro das ilusões. Trad. José Thomaz Brum. Rio de Janeiro: Rocco, 2014, p. 42.
NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2010.
PENTEADO FILHO, Nestor Sampaio. Manual esquemático de criminologia. São Paulo: Saraiva, 2012.
ROSA, Alexandre Morais da; KHALED JR., Salah H.. Polícia Militar não pode lavrar Termo Circunstanciado: cada um no seu quadrado. 2015. Disponível aqui.
SANNINI NETO, Francisco Sannini. Inquérito Policial e Prisões Provisórias. São Paulo: Ideias e Letras, 2014.
SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2009.
SOUZA, Adilson Paes de. A educação em direitos humanos na Polícia Militar. 2012. 156 f. Dissertação (Mestrado em Direito) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.
TORNAGHI, Hélio. Instituições de Processo Penal. V. 1. Rio de Janeiro: Forense, 1959.
Fonte: Canal Ciências Criminais

Francisco Sannini Neto é Delegado de Polícia Civil de São Paulo. Mestrando em Direitos Difusos e Coletivos pela UNISAL. Professor do Complexo Damásio de Ensino. Professor de graduação e de pós-graduação da UNISAL.
Henrique Hoffmann Monteiro de Castro é Delegado de Polícia Civil do Paraná, especialista em Direito Penal e Processual Penal pela UGF e em Segurança Pública pela UNIESP. Professor convidado da Escola Nacional de Polícia Judiciária, da Escola Superior de Polícia Civil do Paraná, da Escola da Magistratura do Paraná e da Escola do Ministério Público do Paraná, e Professor Coordenador do Curso CEI e da Pós-Graduação em Ciências Criminais.

O artigo acima foi escrito pelos Delegados de Policia Francisco Sannini Neto e Henrique Hoffman Monteiro de Castro, o qual foi marcado em minha página do facebook pelo companheiro Armando Neto.

Segue abaixo a opinião, ainda superficial, desse Oficial de Policia Militar do Estado do Rio  de Janeiro.

Feed de Notícias

Caro Armando Neto, com o devido respeito aos Delegados de Policia Francisco Sannini Neto e Henrique Hoffman Monteiro e Castro, autores do presente artigo, bem como às suas Instituições ( Policias Civis), gostaria de me pronunciar, a principio superficialmente, com a colocação de algumas singelas e rápidas observações, prometendo a frente, análise mais aprofundada a respeito da presente opinião.
1. Os autores na ânsia de descaracterizarem as PM como autenticas Policias, acabam contrariando o pensamento com que encerram o artigo, demonstrando raiva, vingança e paixões desmedidas, em vez de temperança , sobriedade e espírito publico, aliados a não inercia, não duvidas e não passividade, conforme a citação;
2. O PM ( Oficial /Praça ), não é, nem nunca foi Agente de Autoridade ( Delegado de Policia). São Instituições independentes. Tentam se completar, há mais de 200 anos, com infelizmente grande dose de insucesso. Sempre deixam uma zona cinzenta entre o cumprimento de suas missões constitucionais.. Zona essa, torno a dizer, infelizmente, que a criminalidade, principalmente a organizada e violenta, se torna soberana;
3. O tão ansiado pela sociedade, Ciclo Completo de Policia, não é nem nunca foi " FAMIGERADO". Registro mais uma vez, é assim no mundo inteiro;
4. O perigo contido na ânsia de tornar- se carreira jurídica, pode deixar a sociedade sem Policia profissional. Daqui a pouco, só teremos " agentes jurídicos" em gabinetes refrigerados combatendo a criminalidade. Se já está difícil, imagine quando isso dominar o status policial. Senhores, " SER E NÃO PARECER". esse tem que ser o norte. A carreira de Policial profissional, em sua essência, é em todo mundo uma das mais importantes e magnânimas. Toda vez que um papel social tenta travestir-se de Ornitorinco , perde suas características básicas e essenciais, e com isso sua produtividade cai. Sua eficiência. eficácia e efetividade nunca mais serão os mesmos. Como ter rabo de jacaré, boca de jacaré , dente de jacaré e dizer que não é jacaré??
5. De forma alguma é inconcebível, nem grotesco o militar de policia investigar, é assim no mundo inteiro. E onde não é, ou gostariam de ser, ou já estão se transformando;
6. Quem disse que só os Delegados de Policia tem formação em direitos humanos ??
7. Infelizmente o Ten Cel PM Souza, o qual não conheço e também desconheço sua origem e obra, deve ter tido uma carreira muito confusa, sofredora, equivocada e não vocacionada , uma vez que o que diz, não condiz com a realidade diuturna, no exercício da profissão de mais de 500 mil homens da Policia Fardada a atuarem em oito milhões de quilômetros quadrados, defendendo e protegendo mais de duzentos milhões de brasileiros e brasileiras;
8. A ínclita Comissão da Verdade, citada pelos autores, deveria ter se aprofundado mais em suas pesquisas, uma vez que as PM são militares desde 1809 ( PMERJ/ Divisão Militar da Guarda Real de Policia), e não por vontade e ação da que chamam " Ditadura Militar" ;
9. E finalmente, nossa conduta profissional nunca foi pautada institucionalmente pela adoção da violência, da ameaça e da humilhação. Não somos " Ogros", somos Policiais de verdade. Sugiro inclusive, que respeitem mais em seus argumentos de defesas de teses corporativistas, as bicentenárias Policias Militares brasileiras.

Enfim,  que vença a tese  que melhor for para a Sociedade, não sendo possível no entanto deixar de  registrar que somente em um Pais rico como o Brasil,  que se  continue permitindo a sub-utilização de 500.000 ( quinhentos mil ) Policiais concursados, formados, disciplinados, fardados,  armados, treinados, comandados, acordados 24 horas por dia, ECD, MDO,  e distribuídos por cada centímetro de seus oito milhões de quilômetros quadrados. Só um Pais muito rico como o Brasil.




sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Misericordia XXII ou, Lobisomens, Vampiros e Zumbis.






Gostaria de lembrar aos confortáveis integrantes das classes A e B, ( e ai estou incluindo, Empresários, Políticos, Desembargadores, Promotores, Artistas, Advogados, Juízes, Estrangeiros, Banqueiros, Procuradores, altos Funcionários Públicos, altas Patentes Militares, Diplomatas, Jornalistas,  Ministros, Secretários, etc, etc..), para que, pelo menos por alguns segundos do dia, parem o que estiverem fazendo e façam um exercício mental, constante basicamente de: 1. A criminalidade do Rio de Janeiro é diferente, usa fuzil, granada, anda em " bondes", mata por nada, atira por nada, não se detém por nada, queima pessoas vivas. É profissional, regular e permanente; 2. Não se intimida pela lei nem pela pena, apenas pela força; 3. O esforço para detê-la ou pelo menos mantê-la sob relativo controle, é realizado há 206 anos, diuturnamente, por homens armados e fardados de azul, da Policia Militar, os quais, nessa guerra de atrito bicentenária, já perderam mais de 5000 ( cinco mil) amigos e amigas, mortos/ mutilados por balas assassinas disparadas por essa criminalidade diferente e regular, que não cessa nunca, sem que nenhum dos Senhores tenham dirigido quaisquer palavras de consolo, alento ou justiça a pelo menos seus familiares; 4. Agora está na hora do final do exercício, imaginem esses homens fardados de azul, tendo morrido todos, ou feridos, ou cansados, ou acometidos por irreversível apatia pela profissão ou adoecidos mentalmente pelo estress. 5. Imaginem que caia de repente, a última e bicentenária barreira entre o caos e a relativa ordem reinante no Estado do Rio de Janeiro. Isso é difícil, mas não é impossível de ocorrer Senhores. E se isso acontecer, não tenham nenhuma dúvida, os Senhores e suas famílias serão caçados de forma brutal e sanguinária dentro de suas casas, carros, ruas, avenidas, condomínios, clubes, spas. Já viram filmes de terror com lobisomens, vampiros e zumbis ? É isso que acontecerá Senhores. A Policia Militar está morrendo, sendo mutilada , tornada tetraplégica, enlouquecendo, e os senhores não estão nem ai. Creiam, suas seguranças particulares, apenas terão condições de oferecer um episódico primeiro combate, só. Força Nacional de Segurança, pois é, é PM também, só que com uma farda diferente. Valoroso Exército, claro que acorrerão em um primeiro momento, mas só em um primeiro momento, e depois???
Apenas como sugestão, tendo pesadelo ou não após a presente leitura, ainda está em tempo de dar a mão à Instituição Policia Militar. Aproximem-se dela, enquanto é tempo. Defendam-na um pouco, não precisa muito, só um pouco. PM que mancha a farda? Qual a instituição que não tem ? Mas os nossos, quando são identificados, são imediatamente penalizados. Nossa PM é muito simples, não quer recursos materiais, não quer mirabolantes Programas ou Projetos. No fundo, no fundo, ela quer apenas seu reconhecimento. Ela quer apenas, que ela e seus homens sejam respeitados por vocês, suas famílias e pela sociedade. Ela , seus homens e seus familiares querem apenas ter a certeza de não haverem morrido em vão.

domingo, 18 de outubro de 2015

Armas de Guerra nas mãos de criminosos no Estado do Rio de Janeiro, ou Sempre dá para se fazer mais alguma coisa .

ESCANINHO DE RECORDAÇÕES

A Revista ISTOÉ deste sábado, ( 17/ 10/15), publica matéria policial, com o título: " O DEA chega ao Rio"/ " Agentes da policia americana abrem escritório na cidade para entrar na guerra contra o tráfico de armas".   O que surpreendeu foi que julgávamos que a  existência do DEA ( Agencia Drugs Enforcement Administration) no Brasil já ocorria há muitos anos, com total interação entre os Estados.
Se é a partir d'agora no entanto, já não era sem tempo, afinal são as armas fabricadas pela indústria bélica dos Estados Unidos que, pelo menos, desde a década de 80, matam nossos Policiais, matam civis, bem como desequilibraram e desequilibram até os dias de hoje, a correlação de forças no combate à coluna vertebral da criminalidade violenta em nosso  Estado, o narcotráfico, pelas forças de segurança locais, principalmente a Policia Militar.

Existem todavia, outras armas de guerra, nas mãos de nossos criminosos, vindas de outros Países ( AK-47 russos, SIGS suíços, FALs belgas, HK alemães, USI  israelenses, entre outras) e nesta matéria contarei inclusive,  interessante história a respeito do AK chines ( NORINKO), porém  os emblemáticos AR-15,  M-16 e  Ruggers,  americanos, sempre fizeram e fazem parte atuante dos arsenais de todas as facções criminosas de nosso Estado. Atualmente estão chegando os Fuzis especiais Barret .50.   Não precisa ratificar que são ARMAS DE GUERRA, projetadas e fabricadas para guerra, e não para uso da criminalidade comum. São armas fabricadas desde as pranchetas, para ferirem e matarem  o inimigo, tanto a curta como a longuíssima distância. Para, por conseguinte, utilizarem munições também de guerra, de altíssima velocidade, com volumosas  cargas de pólvora, e corpos e/ou pontas de projetís  contendo materiais, cada vez mais destruidores,  pesquisados, pelas poderosíssimas industrias bélicas  para esse fim. Para provocarem TOTAL EFEITO  DESTRUIDOR NOS ORGANISMOS HUMANOS, bem como interferirem diretamente nas estratégias e táticas de guerra, procurando sempre obter a supremacia nos combates.

Desde a década de 80, portanto, arredondando, 35 anos, que as Forças Policiais fluminenses sofrem na carne a ação desse vergonhoso e interminável contrabando de armas de guerra, para utilização dos  mercadores da morte,  no infame  negócio do tráfico de drogas. Quantas mortes de Policiais, de civis, de crianças, de brasileiros e brasileiras, não teriam sido evitadas caso o fator fuzil/ arma de guerra  não existisse no binômio policia x criminalidade em nosso  Estado? Alguém dirá que o uso e a venda de drogas sempre existiu e sempre existirá  em qualquer lugar do mundo. Concordo, mas  cercadas/ permeadas,  de fuzis de guerra e granadas  para existirem/ funcionarem, creio que em  pouquíssimos lugares e épocas.

As armas de  guerra, nas mãos dos criminosos  de nosso Estado , sempre foi objeto de preocupação de qualquer Chefe Policial Militar. Quando assumi o Cmdo Geral da PMERJ, no ano de 2000, imprimi e divulguei entre os Cmdos subordinados o lema : " RETIRAR ARMAS DAS MÃOS DOS CRIMINOSOS É A GRANDE META" . Creio que deu certo, durante dois anos mais de 20.000 ( vinte mil) armas de fogo, em geral,  foram apreendidas.

Mas vamos a história do AK chines. Quando assumi em 1995 o Comando do 12º BPM, em Niterói, já chamava atenção a quantidade de armas de guerra portadas, usadas e apreendidas com a criminalidade ( recordo-me que em ocorrência na comunidade de Nova Brasilia, na Engenhoca, a quantidade e diversidade de origens de armas/fuzis estrangeiros, apreendidas por minha heróica Tropa, levou-me ao comentário, no local, devidamente registrado em reportagem do Jornal do Brasil : "PARECE QUE O MUNDO DECLAROU GUERRA A NITERÓI"). Em meio a essas armas estavam alguns fuzis AK-47 NORINKO, de fabricação chinesa. Não o conhecia até aquele momento. A partir daí durante toda minha passagem no 12º, a Tropa continuou apreendendo grande quantidade daquele armamento chines.

Quatro anos após, (1999)  assumi a Chefia do Estado Maior Geral ( EMG ) da Corporação, posição que me permitia ter os dados e informações de pronto. Passei a observar que o fenômeno das apreensões  dos AK chineses não se passavam somente em Niterói e sim em várias àreas do Estado, finalizando as planilhas ao final de cada mês, com quantidades preocupantes daquele armamento estrangeiro. Foi nessa época que recebi uma grande distinção em minha carreira.  A missão do Sr Cmt Geral , o Cel PM Da Cruz,  de participar de uma viagem de estudo às Forças de Segurança Publica da República Popular da China, juntamente com Oficiais Policiais Militares de outras Co-irmãs. Acompanhou-me o Ten Cel Luis Antonio, Ch da PM/3 ( Seção de Planejamento). Na semana de preparação da viagem, por intuição, determinei ao então Chefe da 2ª Seção ( Inteligência), Ten Cel Marcilio,  que preparasse uma planilha seletiva contendo todas as apreensões realizadas por nossa Policia Militar, até aquela data, de armamento chines ( Fuzil Norinko), com o maior detalhamento possível.  Tal documento ocupou algumas páginas.

Não sabia exatamente o que fazer com aquela informação. Mas sabia que se tivesse oportunidade de ajudar minha Corporação, o faria.

E esta oportunidade surgiu. Lá pelo meio da programação, que durou cerca de 10 dias, nesse dia  havíamos visitado oficialmente algumas Unidades de Policia Ostensiva da Policia Nacional, bem como a inigualável obra de superação  humana, a Muralha da China. Nós e nossos anfitriões estávamos  satisfeitos com a excelência do planejamento dos eventos  até aquele momento. Os Generais de Policia chineses nos ofereceram naquele  dia mais um almoço especial. A Chefia de nossa comitiva, o Delegado de Policia Dr. Oswaldo, Chefe da recém criada Secretaria Nacional de Segurança era um gentleman. O Sub chefe, o Gen Serra muito profissional. Tudo corria bem.
Quase ao término do almoço, o qual contou com as mais variadas comidas típicas locais, senti que a hora havia chegado. O ambiente estava como sempre respeitoso, mas descontraído e fraternal.  Desde o inicio havia convidado para sentar ao meu lado, o nosso competente intérprete, o qual, todos chamávamos carinhosamente de Pequeno Panda, tendo em vista sua incrível semelhança com o animal símbolo da China.
Cheguei próximo a seu ouvido, tirei  as dobradas páginas do documento do bolso de minha farda azul petróleo, e informei-o, aos sussurros, da minha intenção. Em um primeiro momento reagiu como se não estivesse entendendo. Falei um pouco mais alto, sua palidez e movimentos negativos de cabeça chamaram a atenção do Gen Chefe da comitiva de anfitriões. O Pequeno Panda continuava a empalidecer e sacudir a cabeça. Passei meu braço em volta de seus ombros  enquanto insistia junto a seus ouvidos da minha intenção de entregar meu documento ao General Chefe. Este fato inusitado despertou mais acentuadamente a curiosidade  do  Chefe, que perguntou amavelmente o que estava ocorrendo. Tendo em vista que as planilhas e o  memorial, já estavam em cima da mesa, o interprete  teve que dar a tradução exata de minhas intenções . O General então pediu para ver o documento. Após rápida passada de olhos ( estava em língua portuguesa), perguntou do que se tratava. Nessa ocasião pude através do interprete contar em detalhes o que  estava ocorrendo em meu Estado/ Pais, na área da segurança pública em razão do  contrabando  dos Fuzis Norinko chineses, que chegavam regularmente às  mãos dos criminosos, servindo de ferramenta de morte a ceifarem  integrantes de minha Tropa Policial.  Fez-se um prolongado silencio na mesa . O Gen Chefe mostrou o documento a todos os seus colegas Policiais de alto mando, ocasião em que trocavam rápidas palavras, sempre acompanhadas de acentuados  sulcos de preocupação  em seus rostos. Ao final, o interprete informou-me que seu  Chefe perguntava se o documento poderia ficar com ele, respondi que sim. E que também, ele iria fazer o que estivesse ao seu alcance, a respeito do assunto. Acabou ali o almoço.

Mais tarde,  já no hotel, meu acompanhante o Ten Cel  Luis Antonio foi chamado ao Apto da Subchefia da comitiva brasileira. Passado algum tempo, Luis Antonio demonstrando grande preocupação, transmitiu-me  a mensagem que minha iniciativa não havia sido bem vista pelo alto escalão da  comitiva brasileira,  pois poderia causar um incidente  diplomático entre os dois  Países. Entendi a mensagem, e falei com ele que não esquecesse que, quem estavam morrendo eram os nossos homens, de nossa PM, com o que ele concordou plenamente, tanto com minha assertiva, quanto com a entrega das planilhas.  mas nada de novo ocorreu até o termino da missão.

Pois bem, além de não haver causado incidente diplomático nenhum,  creio que o General da Policia Chinesa, cumpriu o seu dever com marcada eficiência, eficácia e efetividade. A partir dai, fiquei mais de dois anos no Comando Geral, e em nossas planilhas poderiam ser contadas a dedo as apreensões de Fuzis chineses. Como a PM nunca parou de apreender armas de guerra , não tenho dúvida que a quase paralisação do contrabando  de armas  chinesas para a criminalidade do  Estado do Rio de Janeiro se deveu, a partir daquela data ,  à patriótica ação daquele General da  Policia Chinesa, a quem agradeço até hoje em nome de toda  Tropa Policial Militar de nosso Estado.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Apenas uma humilde contribuição. Acidente de transito. bloqueio de Vias.Direito de ir e vir.

Inevitável não chocar-se com o terrível acidente , que ontem, dia 8/10/15, vitimou mais um PM na Av  Brasil. Difícil profissão. Quando não são as balas assassinas do inimigo natural, são as provenientes de fogo amigo, ou acidentes de carro. Meus sentimentos ao familiares e amigos.

Do ponto de vista material no entanto,  existe uma pergunta que não quer calar. Não é o primeiro, nem segundo, nem terceiro, etc,  acidente dessa proporção que bloqueiam  as vias e artérias de nossa Cidade, causando engarrafamentos  de grandes proporções, obrigando  a já sofredora população de nosso Estado,   a permanecer, horas, horas e mais horas, completamente imobilizada.

Um fator determinante, bem claro e explícito é, no binômio causa /consequência, bem evidenciado: desde o advento do Novo Código de Transito  Brasileiro de 1997, que retirou das Rainhas das Ruas, as  PM,  a competência de atuar no Transito ( a não ser através de humilhantes convênios) Obs- ( è como se de repente você tivesse que pedir permissão para entrar em sua própria casa), a secular máquina coordenadora e fiscalizadora das cada vez mais complexas operações de transito, começou a ruir. Jogaram no lixo,  em um rompante legislativo, uma centena de anos de experiência,  fora os aspectos do Poder de Policia,  a capacidade de se desdobrar  em todos o território nacional e a disponibilidade legal e doutrinária de estar em QAP sempre, as 24 horas  do dia, os 365 dias por ano. Lamentável extremamente lamentável. Obs ( sem nenhuma critica ou desdouro às valentes Guardas Municipais). Com certeza o Brasil é um Pais muito rico para dar-se a esse luxo.

Mas a pergunta que não quer calar é : Porque as autoridades que substituíram as PM, no controle de transito nas Cidades, não cumprem o disposto nos dois Decretos de Transito afins, um deles ou os dois, não me recordo muito bem, expedidos ainda no Governo Geisel, que não só autorizam, como determinam que os acidentes de trânsito  mesmo com vitimas, ocorridos em pontos críticos de transito sejam imediatamente desfeitos, bastando para isso, lavrar-se o BRAT,ou Croqui registrado em qualquer meio físico. em prazo recorde. Hoje então com os recurso disponíveis de infinitas maquinas fotográficas em aparelhos  celulares, isso seria então muito mais célere.  É lamentável.


Obs - Deus  queira  que   ao final de tudo, o pobre Policial Militar que morreu atropelado não seja apontado como o culpado de tudo.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Misericordia XXI, ou a Bicentenaria Policia de Vidigal e Castrioto não merece mais essa. Ou,que Estado Democratico de Direito é esse ?

Inadimissível que uma Força Militar não consiga comandar/controlar sua Unidade Prisional;

Inadimissível que uma Juiza de Direito seja agredida, no exercício de sua função,  no interior desse Estabelecimento Militar, mesmo que a origem de tal ocorrência  tenha sido provocada em razão de problemas psiquiátricos de um Militar preso;

Mas, e principalmente , INADMISSIVEL e objeto de REPUDIO deve ser a decisão ilegal , pasmem, por VINGANÇA, do fechamento por decisão judicial  do Estabelecimento Prisional Militar e consequente transferência de seus presos Militares para Estabelecimento comum, não militar, contrariando dispositivos legais Federais e Estaduais EXPLICITOS, que independem de interpretação. isso sim é altamente perigoso para a manutenção /preservação da Ordem Pública, isso sim é altamente perigoso para a manutenção de um Estado Democrático de Direito. Anomia pura. Desrespeito total a uma Instituição com 206 anos de bons serviços  prestados a  causa pública, tendo neste período perdido mais de 5000 Policiais Militares para as balas assassinas da criminalidade.

Sabíamos que esta seria a consequência mais cedo ou mais tarde,  quando alertamos o Cmt Geral a época, responsável pela decisão arbitraria e eivada de ausência total de  qualquer senso de responsabilidade funcional castrense e  sadio amor corporativo,  quando tomou a mais ignominiosa decisão do século, de igualar Oficiais e Praças da Policia Militar a criminosos comuns de qualquer facção criminosa, já  condenados pela Justiça, e isolou-os em Bangu I, contrariando todas as leis vigentes, apenas porque defendiam melhores salários.

Senhores,  um Pais só pode proclamar que é uma Democracia, que existe sob um Estado Democrático de Direto , quando as suas leis são aplicadas para todos. O PM não é um cidadão  de terceira categoria.  Ele e sua Corporação merecem respeito. Quando exceções como essa,  que descumprem frontalmente a legislação  vigente passam a ser aplicadas,  abrem brechas para que vivamos em um Estado de Segurança Jurídica  de Faz de Conta, e mais, historicamente, o Povo gosta quando prerrogativas hierárquicas  são desrespeitadas e atropeladas. Haja vista a Revolução Francesa. Quem pode afiançar que amanhã  possa vir  a virar moda generalizar a derrubada de todas as prerrogativas, inclusive, dos detentores de cargos políticos , de membros do Judiciário, do Ministério Publico etc... A guilhotina quando descontrolada, historicamente corta a cabeça até daqueles que a inventaram.  Viva a PM !!!!!!