segunda-feira, 17 de junho de 2013

Ainda a respeito da indecorosa e fatal ausência absoluta de pundonor militar na iniciativa de venda do Quartel General da PMERJ. Ou, a força da maldição de todos os santos e demonios existentes nos mais elevados céus ou recônditos subterrâneos infernais , mais cedo ou mais tarde desabará sobre a cabeça dos vendilhões do Templo Sagrado.

Após meu pronunciamento a respeito da falta de lógica, que justificasse a venda/demolição/ destruição do QG/PMERJ, prosseguimos na luta, sempre junto ao Clube dos Oficiais e sua Diretoria, tentando sensibilizar as forças vivas de nossa Sociedade contra tal atitude insensata do poder público. Assim foi junto ao Comando Geral da PM, Ministério Público, Defensoria Pública, Advogacia Geral da União, IPHAN, Petrobras, Sociedade dos Arquitetos e Engenheiros, Comando Militar do Leste, Associações de Moradores, Associações de Policiais Militares, Irmandade da PM,  Imprensa, Redes sociais, colocação de Outdoors, Câmara Municipal, ALERJ, etc...
 
Após incessante luta, em razão de determinação do MP Estadual, chegou-se a conclusão que o procedimento da venda teria que ser submetido a ALERJ. Luz no final do túnel. Imediatamente, e hoje digo, romanticamente/ingenuamente/infantilmente, passou pela nossas cabeças, que não seria possível que os ilustres representantes do Povo, que por tantos anos (séculos), independente de ideologias ou tendencias e preferências  politicas, além do conhecimento a respeito  da missão constitucional bicentenaria da Casa de Vidigal, tiveram suas vidas e de seus familiares, amigos e correligionarios em algum, ou vários momentos, ligados ao nobre e diuturno  trabalho de Anjo da Guarda da Policia Militar, permitissem a concretização do desvario, provocado pelo  intenso frenesi, tendo como pano de fundo o barulho das caixas registradoras da especulação imobiliária durante alguns meses,  de destruir-se tal obra carregada de imenso legado heróico e histórico para a sociedade fluminense, e por que não dizer, para a história nacional.
Cabe registrar inclusive a omissão de todos que por lá passaram, de nunca terem tomado a iniciativa de tombar tal Patrimônio Histórico. É que na cabeça de guerreiros honrados nunca houvera espaço para se admitir siquer mencionar o evento venda/demolição/destruição do Templo Sagrado. Durante quase 200 anos foi TABU. Aqueles que ousassem, interna ou externamente tocar no assunto corriam risco de serem transformados em nuvem. Em algo ou alguém de absoluta invisibilidade moral. Em algo ou alguém que inexoràvelmente caminharia em direção a um Túmulo sem Honra. Mas as coisas mudaram.
 
Nada foi capaz de deter a marcha do  "trem da morte" cornucópico do QG. Inclusive, ao procurarmos, eu e os Presidente e Vice Presidente do Clube dos Oficiais, Coronéis Fernando Belo e José Maria, a Presidência daquela Casa de Leis, com o intuito de solicitarmos apoio, fomos tratados como se tal fato já estivesse consumado, de forma quase belicosa e totalmente indiferente aos anseios da Instituição de D. João VI. Não só autorizaram, com raras excessões de alguns representantes a quem seremos eternamente gratos, em sessão rapidíssima a venda do QG, como também do 2º BPM, 6º BPM e outros próprios públicos, nivelando  inclusive Quartéis centenários com mínimas  e nada históricas construções ( apartamentos)  situadas em ruas secundarias de Niterói.
 
Diante desse quadro, nada mais a fazer que  tomar a decisão abaixo, registrada em carta pessoal, naquele mês de Setembro de 2012, na qual muito decepcionado e profundamente entristecido como Cidadão Fluminense,  com os mecanismos de gerencia  republicanos de hoje, resolvi devolver a Casa dos Representantes do Povo a maior Comenda recebida  em minha vida profissional até os dias de hoje:

Integra da carta:

"DD Deputado Estadual Paulo Melo


Venho através desta, comunicar a Vossa Excelência que estou utilizando do sistema dos Correios para devolver a essa Casa Legislativa minha Comenda (Medalha) Tiradentes, a mim concedida tão honrosamente em solenidade ocorrida em 1997, pelos motivos que elenco abaixo:

1. Não consigo entender como necessário, justo e saudável institucionalmente para a Bicentenária Policia Militar, a venda/implosão/demolição de seu Símbolo Maior de Poder e Autoridade, o seu Bastião da Lei e da Ordem, seu Quartel General;

2. Os argumentos apresentados até agora, inclusive por Vossa Excelência, pessoalmente, a este Servidor Público,bem como ao Coronel Fernando Belo e ao Coronel José Maria, por ocasião da votação do projeto autorizando a venda do QG e outras instalações Policiais Militares, não consigo aceitá-los como factíveis do ponto de vista do pensamento técnico - cientifico militar, citando-os a seguir: "Problemas ligados a ego", não são, já que não estamos defendendo nada pessoal, e sim institucional; "Já viajei por muitos Países e nenhuma Policia tem Quartel, só aqui", não Senhor, não confere, pois, a quase totalidade dos Oficiais Superiores ao realizarem suas viagens curriculares depara-se com imensas instalações prediais a dignificarem os que ali trabalham em defesa de seu povo, sediando seus Comandos e Estados-Maiores, a exemplo das Policias de Nova York, Washington, Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica, Japão, China, Chile, Peru, Bolívia, Rússia, etc. Os nomes das Sedes em alguns casos são diferentes, mas as funções são as mesmas que as nossas, quanto ao fato de "já ser assunto encerrado", somente Deus tem esse poder;

3. Não há como aceitar também, como argumento técnico, a justificativa tornada pública, toda vez que o assunto é tratado, de que "uma nova visão que busca, ao diminuir os aquartelamentos aumentar-se-á a quantidade de Policiais nas ruas".  Primeiro porque em regra, as instalações não são tão grandes assim, levando-se em conta a missão constitucional das Policias Militares, segundo, porque, a se confirmar isso, no exato momento, estaríamos vivendo uma situação em que a Tropa em sua maioria, estaria sendo escondida nos subterrâneos dos Aquartelamentos dada a sua "imensidão espacial", o que não ocorre; e finalmente todo o Oficialato sabe que este enfoque sempre foi e sempre será um problema de Gestão, qual seja, o Gestor Militar de má fé ou incompetente, independente do tamanho de seu Quartel, sempre usará de subterfúgios para, gordurosamente, aumentar sua atividade meio ( administração) na retaguarda, durante o planejamento do emprego de sua Tropa, em detrimento da atividade fim, o  Policiamento Ostensivo nas ruas. Reafirmo, é uma questão de Gestão, não de Arquitetura.

4. Desta forma, não vejo outra solução para este velho Soldado, que não seja devolver a essa Casa de Leis, a Comenda que tão orgulhosa e honrosamente trago em meu peito até agora, motivo de sublime satisfação, a sempre mostrar a meus amigos, parentes, vizinhos e principalmente meus netos e seus pequenos companheiros, como o símbolo do reconhecimento maior recebido como Servidor Público Especial, dos representantes de toda Sociedade Fluminense, por haver dedicado minha vida à causa da Segurança Pública em nosso Estado. É que, Senhor Presidente, a partir do momento em que baldados todos os nossos esforços, a certeza  me faz convicto, que chegará o dia em que o arrependimento de tal decisão, inquestionavelmente virá, mas aí, tarde demais, nossa Bicentenária Casa das Ordens, já não mais existirá, por ter sido produto de venda, como se símbolo de honra não fosse, e sim apenas objeto comercial, material, sem alma, me faz tanto mal, que a Comenda (Medalha) Tiradentes, a partir daí, passará, em vez de emblema de orgulho e honra, a ser um pesado fardo. Pesado demais em meu peito, a carregar como marca de vergonha e desonra, que não conseguirei conviver, sem devolvê-la, por haver testemunhado e nada ter podido fazer para evitar golpe tão mortal contra a honra e as tradições de nossa Policia Militar, bem como contra o respeito a seus antepassados, às gerações atuais que não conseguem entender o que está se passando e às gerações futuras, a quem, estará se negando o direito de privar da verdadeira história que brota há 204 anos daquelas paredes, vigas e colunas feitas de carnes mortas e feridas por ferro e fogo, amalgamadas com o sangue derramado por milhares de heróis sociais.

Despeço-me desejando sucesso e vitórias, tanto para Vossa Excelência como para a Casa que preside.
Rio de Janeiro, Setembro de 2012

CEL PM WILTON SOARES RIBEIRO, Ex- Comandante Geral da PMERJ







 

sábado, 15 de junho de 2013

Continuando a respeito da homenagem à PM Treme Terra.

2. A CIDADE DE NITERÓI DEVE, PRINCIPALMENTE À SUA POLICIA MILITAR, O TÍTULO OFICIAL DE " CIDADE INVICTA".

2.a. Graças à PM Treme Terra, do antigo Estado do Rio de Janeiro, a qual foi a PRIMEIRA força de combate, a travar renhido confronto, em terra, no Morro da Armação na Ponta da Areia e na Praia Grande, hoje Praça Araribóia, a comando de seu destemido Comandante Geral o Maj EB Fonseca Ramos, nos dias 6, 7, 8 e 9 de Setembro do ano de 1893, contra os sublevados de parte da Marinha de Guerra ( Almirante Custodio José de Melo), por ocasião da Revolta da Armada, não permitindo o desembarque completo dos anti- republicanos, até que reforços do Exercito e da Policia Militar do Município Neutro da Corte ( Guanabara) aqui chegassem. O objetivo dos revoltosos era implantar neste estratégico rincão pátrio de terras niteroienses, uma Cabeça de Praia a principio, e após, uma Base Militar sólida que proporcionasse aos revoltosos condições de se estabelecerem e se organizarem para atentarem contra a recém implantada República cuja Capital era o vizinho Município Neutro, hoje Município do Rio de Janeiro. Em razão desse ato heróico, a Cidade de Niterói foi condecorada com o honroso Título de " CIDADE INVICTA", o qual, orgulhosamente, ostenta até os dias de hoje.


Importante registrar 3 suportes científicos que ajudam a alicerçar os fatos narrados acima, e que dizem respeito ao então Comandante Geral da PMRJ, Maj Fonseca Ramos:

2.b. O primeiro, pelo reconhecimento da Cidade de Niterói ao seu defensor, ao construir com verba pública, o Mausoléu onde seus restos mortais estão sepultados, no Cemitério do Maruí, no Bairro do Barreto:

" ....o Monumento foi encomendado ao Arquiteto Desidério Strauss e inaugurado solenemente pelo Prefeito Feliciano Sodré e pelo PRESIDENTE DA REPUBLICA, Hermes da Fonseca, em 1911.

Solene e significativo pelo seu simbolismo, consiste numa base em forma de fonte, onde se apoia o busto em bronze de Fonseca Ramos, entre duas piras. Uma coluna partida de granito simboliza a interrupção da existência. Junto dela estiliza-se um castelo, tendo gravadas nas quatro faces as palavras que resumiam as qualidades do homenageado: CALMA, BRIO, CORAGEM, ENERGIA. Uma pirâmide , cuja ponta delgada busca o céu, representa a audácia. Na parte fronteira da base colocou-se um medalhão de bronze com os dizeres: A CIDADE DE NITERÓI A SEU GLORIOSO DEFENSOR, GENERAL FONSECA RAMOS. 29.7. 1911......."




2.c. O segundo, através do reconhecimento da República ao conceder-lhe local de honra no monumento construído na Praça da Cinelândia, em homenagem ao General Floriano Peixoto, consolidador da República, sitio histórico de visitação pública até os dias de hoje:

"....o Monumento foi levantado na praça ajardinada e fronteira à Biblioteca Nacional, representando uma apoteose à Nacionalidade .......................................................................................
.........nas quatro faces do toro agulhento, de granito nacional, estão embutidos baixos-relevos de mármore branco, representando os elementos que concorreram para a ação decisiva de Floriano Peixoto na defesa da República : o Exercito, na resistência enérgica do General Gomes Carneiro; a Marinha, na fidelidade do Almirante Gerônimo Gonçalves, Comandante da Esquadra Legal; A POLICIA, PELO GENERAL FONSECA RAMOS, NA REAÇÃO VITORIOSA DE NITERÓI; Júlio de Castilhos e o elemento civil, por um grupo de jovens patriotas ..........."



2.d. E finalmente, vamos encontrar no Congresso Nacional, como representação de todo Povo Brasileiro seu maior reconhecimento em vida, o qual está perpetuado no SUMÁRIO DO DECRETO Nº 213, DE 5 DE DEZEMBRO DE 1894, DO CONGRESSO NACIONAL, QUE PROMOVE EM CIRCUNSTÂNCIAS EXTRAORDINARIAS ( DEFESA DA CIDADE DE NITERÓI), A GENERAL DE BRIGADA, O ENTÃO COMANDANTE GERAL DA PMRJ, MAJ FONSECA RAMOS:

DECRETO Nº 213 DE 5 DE DEZEMBRO DE 1894

Considerando que relevantíssimos foram os serviços prestados em Nicteroy, na defesa das instituições republicanas brasileiras, contra os revoltosos de parte da Armada Nacional , pelo Maj Reformado e General de Brigada Honorário do Exercito, Luiz José da Fonseca Ramos, acentuadamente nos dias 6,7,8, e 9 de Setembro de 1893 e 9 de Fevereiro de 1894, opondo tenaz e heróica resistência à ocupação da Cidade por aqueles , tendo às suas ordens nos PRIMEIROS DIAS, APENAS 78 PRAÇAS DE POLICIA ESTADUAL, armados a COMBLAIN, mal municiados, estando entretanto, os revoltosos armados a KROPACHETK, apoiados fortemente pela ARTILHARIA DOS NAVIOS DE GUERRA;

Considerando.............................................

Considerando que Nicteroy,- objetivo almejado da revolta e CUJA POSSE SERIA PARA ESTA ( REVOLTA) A POSSE DO PAIZ,- chave da defesa da Republica , centro das simpatias por aquela, se não tem nos PRIMEIROS MOMENTOS como seu defensor O GLORIOSO GENERAL FONSECA RAMOS ( Obs- então Comandante Geral da Policia Militar Treme Terra), difícil é imaginar O QUE SERIA HOJE DO BRASIL, DE SUA UNIDADE;

Considerando................................................................



Art 1º- É considerada no Posto de General de Brigada a reforma do Maj e General Honorário do Exercito, Luiz José da Fonseca Ramos, com todas as vantagens desse Posto, como se efetivo fosse.

Art 2º Revogam-se as disposições em contrario.

Sala das Sessões , 5 de Dezembro de 1894, Gabriel Salgado dos Santos, Thomaz Cavaicarui, Ovídio Abrantes, Antônio de Siqueira.


III. FOTOGRAFIAS DE SALVADOS HISTÓRICOS

HOMENAGEM A POLICIA MILITAR DO ANTIGO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, A POLICIA TREME TERRA.

VIVA a PM !!!!!!!!!
 
Trabalho apresentado ao Centro de Memória Treme Terra, órgão criado pela Sociedade Treme Terra com objetivo de preservar acervo ligado a história dos Vigilantes Obreiros.
 

 
A quem Niterói deve o Título Oficial de " CIDADE INVICTA" ?????

I. A GLORIOSA POLICIA MILITAR DO ANTIGO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

1. Em 14 de Abril do corrente, a Policia Militar do antigo Estado  Rio de Janeiro, completaria , se na ativa estivesse, 178 anos. Foi criada pelo Governador ( Presidente de Província)   Joaquim José Rodrigues Torres, através da Lei nº 16 de 14 Abril de 1835, com o nome de Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro, e sediada na Capital da Província, hoje Niterói.

2. Seu primeiro Comandante Geral foi o Brigadeiro João Nepomuceno Castrioto, então Capitão EB Ajudante de Ordens do General Luis Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, à  época, Ten Cel EB e Comandante Geral da Policia Militar ( Corpo de Guardas Municipais Permanentes ), da Sede do Governo Imperial ( Município Neutro da Corte/ Distrito Federal/ Guanabara, e hoje Município do Rio de Janeiro).
 
 

II. O TREME TERRA E A HISTORIA

1. A PM Treme Terra desempenhou varias missões de importância capital para a Ordem Publica fluminense , a Soberania Nacional e a Consolidação da República. Vejamos alguns momentos de sua trajetória histórica:

1.a. Constituiu em 1865, o 12º  Corpo de Voluntários da Pátria, que escreveu páginas heróicas na Guerra do Paraguai, tendo combatido com coragem e vigor ímpar ( "SEU PISAR FORTE NO TERRENO, SEUS RÁPIDOS E CADENCIADOS DESLOCAMENTOS, BEM COMO AS FEROZES ATITUDES MARCIAIS POR OCASIÃO DOS RECONTROS COM O INIMIGO, FAZIAM A TERRA TREMER, DAÍ O TÍTULO OBTIDO DE 'TREME TERRA' AO LONGO DOS 5 ANOS QUE A GUERRA DUROU"). Foi coroado de glorias nos combates em que participou, tendo sido a primeira Tropa brasileira  a ser condecorada por D. Pedro II, através Decreto Imperial de Janeiro de 1866. Teve atuação destacada nas batalhas de RIACHUELO, TUIUTÍ, CURUZÚ, CURUPAITÍ, HUMAITÁ, AVAÍ, LOMAS VALENTINAS, PIQUICIRÍ, ANGUSTURA E AQUIDABÃ. Ora como 12 º CVP, ora renumerado como 44 º CVP.
 
 
1.b. Parte de Combate do Comandante do 12º Corpo de Voluntários da Pátria ( O Treme Terra), Ten Cel PM João José de Brito, após a vitoriosa Batalha de Curupaití, a qual deu origem a várias condecorações, e onde o 12º teve entre mortos, feridos e extraviados, 83 baixas: 

                                                          PARTE DE COMBATE

" Quartel do 12 Corpo de Voluntários , no Acampamento de Curuzú, 23 de Setembro de 1866.

Ilmo. Sr.- Como V. Ex. presenciou, o Corpo sob meu comando foi ontem o primeiro a avançar sobre as trincheiras inimigas. Transposto o primeiro fosso, prosseguiu com crescente entusiasmo até junto da artilharia paraguaia, onde foi fulminado à queima roupa por continuadas descargas de metralha e fuzilaria. O Alferes José Lopes Ferreira, que conduzia a Bandeira, no momento em que ia cravá-la na trincheira inimiga, teve a mão espedaçada por uma bala. Achando-me a pequena distancia desse lugar, entreguei-a ao Alferes Luis José Garcia , o qual bem como o Sargento Brigada Cândido Mathias de Faria Pardal, que depois a tomou, caíram feridos. Os Oficiais e Praças deste Corpo correram à porfia para junto do Estandarte Nacional, a fim de defendê-lo; o inimigo fez por algum tempo convergir seus fogos sobre aquele ponto, fazendo-nos experimentar grandes perdas.

Os Oficiais e Praças, todos cumpriram dignamente o seu dever. A Bandeira deste Corpo  crivada de balas, ensanguentada e com a haste partida, atesta o denodo e valor do Corpo, que me orgulho em comandar.

.....Este Corpo conta com 83 Praças de Pré fora de combate, entre mortos e extraviados.

Corre-me o dever de fazer especial menção ao Capitão Mandante deste Corpo Domingos Carlos de Sá Miranda, pelo valor e sangue frio com que se conduziu no combate.

Os Capitães Antônio José da Cunha, Joaquim Maria da Conceição, Alferes -Ajudante Antônio Luiz Rodrigues de Araújo, dito Quartel-Mestre José Joaquim Rodrigues de Araújo, Gratulino de Araújo Costa e Henrique Antônio Pinto, são todos dignos de elogios pela coragem e intrepidez que mostraram. As Praças extraviadas, acredito que estejam todas mortas, atenta a celeridade que desenvolveu o inimigo em explorar o campo e as matas próximas do lugar onde se deu o combate.

Deus guarde a V. Sa. Ilmo. Sr. Tenente Coronel Comandante da 2 ª Brigada da Ala esquerda de Infantaria, do 2º Corpo de Exercito em operações contra o Paraguai.

João José de Britto, Tenente Coronel Comandante."
 
Continua em próxima postagem.........
 
 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

A História do "CAVEIRÃO" ( Terceira parte)

ESCANINHO DE RECORDAÇÕES


Pela manhã ( madrugada), em razão de convocação ao QG, para reunião inopinada, designei o Maj Beltrão, meu Sub Cmt, para comandar a Operação em Vigário Geral, e assisti a saída do Comboio da sacada do 3º andar do BPChq, então, Sede do BOPE. Ali ia o verdadeiro Maj Beltrão/ Patton ou Maj Beltrão/ Rommel, com parte do tronco e a cabeça fora da escotilha de "nosso" aliado PALADINO, como se fosse uma esfinge de moeda. Difìcilmente eu havia visto militar  com expressão tão feliz e orgulhosa. Aprumado e circunspecto, olhar firme no horizonte, lá ia o Maj Beltrão/Patton/Rommel em direção a um difícil objetivo. Nada  em seu semblante demonstrava preocupação no partir para mais uma missão que pudesse lembrar, que ele e sua Tropa estavam indo em direção ao perigo sempre real e iminente. Que estavam indo em direção a nervosas bocas de fuzis de guerra, granadas dilaceradoras e munições também de guerra. Que suas vidas a partir daquele momento corriam risco de morte. Fiz um tênue e rápido diagnóstico de Cmt: Creio que o "colete a prova de balas coletivo" já está funcionando, pelo menos psicologicamente. Ao ver a saída daquela Tropa, naquele momento, me senti tomado de grande emoção.

Não fez feio o PALADINO. Atingiu o objetivo resfolegando, tossindo, tremendo, suarento, reclamando, fumacento, mas chegou. Não penetrou nas favelas porque não houvera necessidade tática ( mas mesmo assim, recebi telefonema do QG, após retornar da reunião, para saber que história era aquela  do PALADINO metido em favela. Foi ai que lembrei que havia esquecido de avisar ao Escalão Superior a respeito do emprego da "nova arma"...). Ao final da Operação, que culminou com algumas prisões e apreensões de armas e drogas, deixando a Policia Militar o recado que não permitiria mais ações e nem guerras de facções, a Viatura Especial retornou a Base sem alteração.

O Maj Beltrão estava vibrando com a aquisição de nossa nova ferramenta de trabalho. Na minha cabeça, três palavras latejavam continuamente, Mineira, Mineira, São Carlos, São Carlos, Zinco, Zinco.
 Algum tempo depois , a desejada Operação na Mineira foi planejada novamente, já como Operação Integrada, entre BOPE e Delegacias Especializadas da Policia Civil, mais precisamente DRE ( Delegacia de Repressão a Entorpecentes). Nos meandros do planejamento, como sempre, coube-nos os setores mais complicados  e de difícil acesso ( ou seja, aqueles que os criminosos já posicionam seu fuzis de enfiada com bastante antecedencia).

 Começou a Operação. A madrugada era de lua cheia. Os lobisomens uivavam, ao mesmo tempo em que caprichavam no posicionamento de suas armas em seus setores de contenção. O que não sabiam no entanto, era que a Onça estava com sede e a Caveira com fome, ambas usando dentes de prata, muita sede e muita fome....

O Batalhão progredia em 6 Patrulhas. Duas buscando flanquear pela direita, duas pela esquerda. Estas tinham a missão de atingirem as Torres, subjugar as sentinelas inimigas   e baterem o terreno de cima para baixo nos dando cobertura. As duas finais, em deslocamento de baixo para cima, muito mais expostas portanto, buscavam o engajamento frontal. Eu comandava diretamente essas duas Patrulhas. Queria ver o "branco dos olhos" do inimigo Zé Aipim, assassino do Sgt do BOPE. Mesmo "politicamente incorreta" , aquela era sim, uma "expedição punitiva", fundamentalmente necessária em uma "Escola de Comando" séria, honrada, nobre e justa para com seus componentes.

Toda a progressão era controlada pela visão, sinais/sons ou relógio, tendo em vista que à época não existia telefone celular e os Aparelhos Rádio eram uma lástima de ineficiência. Minhas duas Patrulhas tinham como meta realizar a Ação no Objetivo, caindo de surpresa se possível, sobre a principal "boca de fumo" da Mineira denominada de " a Praça é Nossa". Dominado esse ponto crítico,  a possibilidade de ficarmos sob fogo cruzado diminuiria sobremaneira.

À testa do Comboio ia impoluto o PALADINO, com uma guarnição de 12 homens. Imediatamente atrás, em um velho Chevrolet Opala, íamos além do Motorista, eu e o Cap Moura, meu Oficial de Planejamento e Caveira 05, que eu havia ajudado a formar em 1978. A seguir o restante das Equipes.

Nessa altura, os Radios HT já não falavam, não pela estratégia do "silencio de radio ou das comunicações", mas pela inoperância técnica no terreno. Como disse, Celular e Nextel ainda estavam no campo dos sonhos. O silencio era absoluto, a não ser pelo motor das Viaturas e o resfolegar vacilante,  cada vez mais preocupante do PALADINO a nossa frente. Cabe registrar no entanto que a época, "cães já ladravam, crianças já choravam e vagabundos já vazavam" ( foi o que aconteceu logo a seguir). Ao completar o Comboio a curva conhecida como " do poste deitado", que nos colocaria em condições de desembarque e progressão a pé, momento mágico do preparo profissional do BOPE (Cabe aqui registrar que é  muito bonito e emocionante ver o BOPE progredir no terreno. São como artistas letais realizando uma coreografia quase animal. Ora seus homens confundem-se com pedras, rochas, arvores, ora com lagartos, ratos negros e morcegos, ora com águias e harpias. Sempre cuidando um do outro, o BOPE nunca abandona seus feridos pelo caminho). O momento crucial aguardado por todos nós havia chegado: Hora de enquadrarmos pelo fogo e surpresa, o pessoal do tráfico de drogas responsável pela  contenção/segurança da "boca" principal da Praça é Nossa. Estávamos contando inclusive, assim esperávamos e necessitávamos, com o Apoio de Fogo das Patrulhas da Torre, para isso designadas. Foi quando o mundo explodiu em ferro e fogo.......( CONTINUA).

domingo, 9 de junho de 2013

HOMENAGEM AO MAJ PM PEREIRA

ESCANINHO DE RECORDAÇÕES

Na próxima Terça feira ( 11/6), um grupo de Oficiais Treme Terra visitará em Nova Friburgo um companheiro de farda que está muito mal de saúde. Já o fizemos há uns três meses atrás, é o  Maj Pereira.

 
Com muito orgulho reproduzo abaixo texto histórico, confeccionado pelo Cel PM Ronaldo, encaminhado ao Cel PM Piancó, no qual relata atitude heróica e inteligente do então Aspirante PM Pereira, que, com a sua capacidade de decisão, forjada em nossa saudosa Escola  de Formação de Oficiais ( hoje transformada em um patio de containers) salvou a vida de seus subordinados, no que poderia ser um combate desproporcional ( uma vez que  os revoltosos desciam com todas as Unidades do Exercito sediadas em Minas Gerais e mais a Policia Militar daquele  Estado, que já havia aderido ao movimento) e sanguinário entre irmãos  brasileiros. OBS- Cabe registrar que à época a nossa PMRJ, não possuía efetivo, telefone celular, radio móvel , armamento e munições compatíveis para a situação, binóculos militares, nem mesmo viaturas que permitissem acionar mensageiros. Enfim, não estava apetrechada de forma alguma para o cumprimento da missão recebida pelo nosso Aspirante. Segue a narrativa:



                                   " Saudações e abraços a todos.

Infelizmente não participarei pessoalmente do grupo que irá visitar o nosso amigo José Pereira, nesse momento tão difícil de sua vida. Não estarei em pessoa mas espiritualmente estarei unido a vocês nessa linda manifestação de solidariedade fraternal e Cristã ao amigo. Diariamente invoco ao Pai Criador pelo amigo Pereira em meu Terço Matinal, às 07 horas, pedindo o seu restabelecimento, creio que o nosso Deus fará por ele o que for de melhor.
Quero aproveitar essa oportunidade para me declarar um grande admirador do nosso "irmão Pereira", por muitas de suas qualidades de amigo, mas sobretudo por um "episódio", que até se contava com certa jocosidade em que ele fora protagonista, coisa de nós brasileiros, que às vezes vaiamos até o Hino Nacional. Quero me referi ao episódio acontecido no dia "31 de Março de 1964", noite gloriosa do nosso País, que estava quase absorvendo oficialmente o perigoso regime comunista russo, quando as Forças Armadas declararam o movimento revolucionário de "31 de Março de 1964". Toda a imprensa brasileira divulgava o fato, o país parara, entramos em regime de prontidão. A nossa gloriosa e saudosa e antiga PMRJ, então comandada por um "simpatizante" comunista, oficial do Exército, ficou um pouco "atônita", teríamos que obedecer ordens do nosso comandante geral. Em Barra do Piraí, onde se instalava o Terceiro Batalhão, servia o garboso Aspirante-a- Oficial José Pereira, coitado, recebeu ordem para comandar um Pelotão de Policia e ficar na divisa do município de Barra do Piraí, num local denominado Belvedere, a fim de deter o prosseguimento dos revoltosos que vinham para o Rio de Janeiro. Missão dada, missão "mais ou menos" cumprida pelo inteligente e sagaz Aspirante Pereira. Os seus comandados, como eles depois contavam, todos "se borravam" menos o Aspirante, que com sua conhecida tranquilidade e inteligência aguardava os "inimigos". Muito tempo depois, quando os revolucionários se aproximaram, o grande aspirante-a-oficial Pereira comandou: Pelotão Sentido, cobrir, firme, Ombro Arma!... A passo firme, sem tremer, dirigiu-se ao comando revolucionário, um General, e apresentando-se: Aspirante-a-oficial-José Pereira- do Terceiro Batalhão da PMRJ- se apresentando solidário aos vossos ideais, pronto para cumprir todas as ordens. e assim chegou em Barra do Piraí, sem nenhuma contestação de seus superiores, foi verdadeiramente um ato, não somente de inteligência mas também premunitório.. Vivi 27 anos na PMERJ, nunca vi e soube de uma atitude tão inteligente, corajosa e lúcida como esta do nosso amigo Pereira, digna de se registrar nos anais históricos de nossa PMRJ, que por um desequilíbrio de sua parte poderia causar uma tragédia, faz-nos lembrar o General romano ANÍBAL, que ao atravessar os Alpes, vendo que seus soldados, cansados, esmoreciam, subiu a um monte e bradou: Não esmoreçam meus soldados, coragem, além dessas montanhas nos esperam planícies imensas... e venceram a difícil batalha...
O que narro ouvi muitas vezes de muitas praças daquele batalhão, que declaravam, emocionados, orgulhosos, como eu estou agora ao narrar por escrito esse lindo episódio de nossa história policial, que fora um momento muito difícil para eles, que, por qualquer erro por parte do "Aspirante Pereira", eles poderiam pagar com a própria vida. E assim o nosso Amigo Pereira foi o primeiro cidadão fluminense a se solidarizar com os ideais revolucionários de 31 de Março de 1964, por isso devemos nos orgulhar de termos como amigo este verdadeiro guerreiro " Asp-a-Oficial- José Pereira", um exemplo para todos nós.
Terminando, vou transcrever aqui um trecho da "Oração pelos doentes", que diariamente eu rezo no terço matinal: Vós, ò meu Deus, fazei penetrar em seu coração estas palavras: O importante é a saúde da alma! Ò Senhor que se cumpra nele a Vossa vontade completamente e, se desejais que se cure, seja-lhe concedida a saúde completamente... Amém.
E assim, amigo Piancó, que vocês possam levar ao amigo Pereira muita alegria neste ato fraterno .
MEU ABRAÇO AMIGO A TODOS VOCÊS.
RONALDO "


Viva o Aspirante PM Pereira, viva a PM!!!!!!!!!!! Obrigado caros amigos Ronaldo e Piancó.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A " MANICACA"

 
ESCANINHO DE RECORDAÇÕES                                                  


                                                     


 A " MANICACA"




Era o inicio do ano de 1979 na Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Uma reunião seleta ocorria no Gabinete improvisado nas ruínas existentes nos confins setentrionais da  pedreira do CFAP, Centro de Formação Aperfeiçoamento de Praças ( posteriormente passou a ser a base da Recarga da PM). Lá funcionava garbosamente e com elevado espirito de corpo, a primeira Sede do Nu/COE ( Núcleo da Cia de Operações Especiais- hoje BOPE)), o qual havia sido criado no inicio do ano anterior. Seu fundador e primeiro Comandante , o Cap PM Amêndola presidia a reunião. Os demais participantes eram: eu ( Ten Wilton), o Ten Paulo José, o Sgt Matos, o Sgt Adaildo, o Sgt Dias, o Sgt Hirnerio, o Sgt Tenório , mais os Oficiais e Sargentos recém formados no COESP Cat B I/ 78 ( 1º Curso de Operações Especiais), em número de doze. Cabe registrar que a iniciativa do Cap Amêndola em programar o 1º COESP, deveu-se a necessidade extrema de implantar na Corporação a mentalidade do "CURSADO", isto é, o melhor entre os melhores, de tal forma que após o termino do Curso, o Nu/COE passasse a contar nos seus quadros com combatentes plenamente habilitados na área de Operações Especiais de Policia, e a partir dai, a Unidade cada vez mais se impusesse técnica e logisticamente no combate direto a criminalidade violenta em nosso Estado.
Os futuros Caveiras, receberam diretamente do Cmt Amêndola, a missão de se reunirem em caverna contígua e em conjunto, confabularem e apresentarem, em tempo recorde, uma proposta de   modelo para um brevê/manicaca oficial, que atendesse ao conceito e a magnitude de um Curso de Operações Especiais da PMERJ. ( até mesmo porque os Cursados todo dia cobravam do Cap Amêndola a formatação de um brevê para o Curso). A partir daí, o clima de tiro, bomba e quejandos, somado a terrível pressão psicológica e a enorme responsabilidade de apresentar um trabalho definitivo, a altura do ainda TURNO DE ALUNOS,  se apoderou do Grupo. Passado não muito tempo ( parecia que todos sabiam realmente o que queriam desde o inicio, estando a faltar apenas a inspiração do Chefe em dar a ordem), eis que surge o saudoso ex-Aluno Ten Rangel, 01 do 1º COESP, representando a Patrulha, trazendo o resultado do trabalho coletivo: Em um esboço, feito em papel oficio, à caneta, destacava-se a CAVEIRA LAUREADA, já então com seu enigmático sorriso, como se estivesse a zombar da Faca de Trincheira cravada no alto de sua cabeça, e as duas Pistolas cruzadas em seu invisível pescoço  a gritarem ao mundo, SOU PM, SOU PM.
Recordo-me como se fosse hoje, da reação do querido Cmt Amendola. De pé, no meio da improvisada sala, entre sorrisos nervosos de canto de boca e perdigotos a voarem em direção ao desenho, bradava,:"VOOVOVOCES QUEREM ME,ME,ME DERRUBAR, VOVOVOCES QUEQUEREM ME DERRUBAR, PÔ,..PÔ,....PÔ.....??????????"
Pois bem, após submeter a proposta a nossa apreciação, como Instrutores e Monitores do recém concluído Curso, que éramos, ele aprovou a manicaca da CAVEIRA. Essa decisão, histórica, todos percebemos, foi emoldurada com uma expressão em sua face guerreira, de um mixto de orgulho e satisfação de dever cumprido.  Os formandos logo que os primeiros modelos ficaram prontos, passaram a envergá-la orgulhosamente nos inflados peitos. A principio, as primeiras Caveiras eram apenas prateadas, sendo usadas indistintamente por Oficiais e Praças cursados.
O Comandante Amêndola não foi derrubado, e a CAVEIRA como SÍMBOLO DE SUPERAÇÃO e VITÓRIA SOBRE A MORTE, está aí até hoje, tendo mais tarde virado símbolo maior do agora BOPE, sucesso absoluto no combate aos crimes e criminosos violentos, através de seus " heróis anônimos".

Mais a frente, já em 1981, após algumas tentativas frustadas de oficialização do tão ambicionado Brevê, o Cap Amendola enviou detalhada documentação  ao Sr Cmt Geral da PMERJ, o Cel Cerqueira, do Exercito Brasileiro, solicitando a tão  esperada formalização do Brevê, obtendo o aprovo do Escalão Superior.
Só que, no momento em que o desenho da CAVEIRA apareceu em documento oficial da PM, publicado no Diário Oficial, parcela do mundo jornalistico desabou sobre o Comando Geral. Eis que , principalmente o Jornal do Brasil, a revista Veja e o periódico O Pasquim dedicaram vasta matéria a respeito. O Pasquim inclusive, produziu extensa reportagem jocosa , posicionando o Brevê da Caveira sobre vários momentos e locais da vida nacional, inclusive, sobre a manta do cavalo do então Sr Presidente da Republica, General João Batista Figueiredo. Aí foi a vez do Cmt Cerqueira se pronunciar em audiência reservada com o Cmt do Nu/COE:  Ô Amendola, não é possível, vocês querem me derrubar, não é possível, vocês querem derrubar o Comando !!!!!!

O Cmt Cerqueira não foi derrubado, o Brevê da Caveira prosseguiu impoluto nos diplomas e no peito dos  Cursados, cada vez em maior número, pois os COESP, inspirados no Projeto Piloto do 1º COESP, de 1978,  visando o aprimoramento técnico-profissional de Capitães, Tenentes, Sargentos Cabos e Soldados, não mais pararam de ser  programados e executados na Corporação.

A partir de 1991, já como BOPE, o Emblema  da Caveira, criado pelo Ten Cel PM Paulo Cezar ( Bichão), pintado em grande circulo vermelho na parede de seu gabinete, na sede do Batalhão, no 3º andar do prédio do BPChq, teve o inicio de sua oficialização, através de estudo/esboço, contendo um trabalho completo, com sugestões para Brasão, Flâmula, Estandarte e Insígnia de Comando, confeccionados pelo Cap Penteado, P/4 ( Oficial de Logística) e sua competente equipe. Após minha aprovação como Cmt do BOPE, foi tal proposta, encaminhada ao "Escalão Girafa". Novo golpe de sorte, pois o responsável pela arte final viria a ser o Caveira 02, Ten Cel Teixeira, então Chefe da APOM do EMG, que abraçou a causa com grande entusiasmo. Finalmente, o resultado derradeiro da obra foi chancelado  pelo Cel PM Nazaré Cerqueira, Cmt Geral da PMERJ e publicado em Diário Oficial, tudo no ano  de 1993, ano este inclusive em que a conhecida Boina preta com a " bolacha"/emblema, metálica, ( antes era em tecido, usada no bico de pato) da Caveira, formalizada por Portaria em Bol Interno, baixada por este Oficial, passou a fazer parte do uniforme do BOPE,  não mais deixando de emoldurar a cabeça dos CAVEIRAS. Até que enfim a complementação da ostensividade  do reconhecimento, sucesso e gloria institucional, através da oficialização de seus símbolos maiores. Vida longa para a manicaca do COESP, vida longa para a CAVEIRA, vida longa para o BOPE, vida longa para os símbolos do BOPE, vida longa para a PM!!!!!!!!






sábado, 1 de junho de 2013

NÃO À VENDA DO QUARTEL GENERAL DA PMERJ - "NON PASSARAN"

QUEREM VENDER/DEMOLIR O BASTIÃO MAIOR DA LEI E DA ORDEM EM NOSSO ESTADO, A CASA DOS BI-SECULARES VULTOS HISTÓRICOS DE NOSSA PM, O CAMPO SANTO CONTRITO ONDE GOTEJA O SANGUE E OS PEDAÇOS DAS CARNES FERIDAS E MORTAS DE NOSSO HERÓIS SOCIAIS, NOSSO QUARTEL GENERAL, O QG DA PMERJ.

 
Em Março do ano passado (2012) surgiu a noticia que as autoridades governamentais de meu Estado pretendiam vender/demolir o quase bicentenario Quartel General da Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro.
Tomado de infeliz surpresa, e grave indignação, creio justa, primeiro como Chefe do Estado Maior Geral e Cmt Geral da Corporação, que fui, segundo como PM, com quase 40 anos de serviço ativo, que também fui e terceiro como cidadão e patriota que sou, julguei-me na obrigação de encaminhar ao Sr Presidente do Clube dos Oficiais da PM (AME), a comunicação abaixo, hoje com pequenas correções e inserções, que ora acredito ainda útil para conhecimento, daqueles que ainda lutam por um futuro melhor para nosso filhos e netos:

 
AO DD PRESIDENTE DO CLUBE DOS OFICIAIS
Sr CEL PM FERNANDO BELO


Não posso e não devo calar-me nesse grave momento de extermínio do Patrimônio Policial Militar, por isso encaminho-vos minha colocação a respeito do problema.

Qual é a lógica da venda do Quartel General da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro?

1. Não é a lógica da modernidade, pois se fosse, seria demolido o Quartel General atual e construído no mesmo local, no mesmo sitio histórico, nosso, um prédio moderno, funcional e inteligente;

2. Não é a lógica do “desaquartelamento”, pois a Polícia sem base é a Polícia propícia a aderir ao movimento dos sem-quartel, e a Polícia sem quartel daria margem a política de governo da “des-secretarização”, da “des-delegacização”, da “des-bombeirização”,da “de-seseguização”, da “des-procurizaçâo”, da “des-camarização”, da des-alergização, da des-tribunização, enfim da “des-sedização”, isto é, nenhum Serviço Público mais, necessitaria de Sede, desta forma, estas poderiam ser vendidas açodadamente e gulosamente, implantando-se de vez, a escola peripatética de administração. Mas como tal fato só está a envolver a Polícia Militar, cabe a pergunta, por que só o PM tem que perder a sua casa?

3. Não é a lógica do mimetismo ao se tentar copiar as civilizações ditas mais modernas, pois nós, em nossas viagens de estudo de polícia comparada, pudemos visitar, inspecionar, fotografar e filmar, o Quartel General da famosa Polícia Francesa (é um quarteirão), da Scotland Yard, (é um quarteirão), da Polícia fardada alemã, (são dois quarteirões), dos Carabineiros do Chile e da Itália, (grandes Quartéis), da Polícia de Nova York, todos os QG, majestosas construções, a renderem homenagens àqueles que ali trabalham, enfim, todas as Policias do dito primeiro mundo e também àquelas que tivemos oportunidade de visitar no cone sul, possuem dignas instalações para seus Quartéis Generais;

4. Não é a lógica das forças assemelhadas de terra, a exemplo de nosso glorioso co-irmão, o Exército Brasileiro, que ao longo de sua existência teve e terá sempre alguns de seu quartéis fechados, remanejados, adaptados, vendidos ou doados. É que, nesse caso, o seu inimigo é diferente, dada a sua missão constitucional, desta forma, hoje, se o pretenso inimigo dele, e consequentemente da Pátria, está na Amazônia, sendo lá que nos dias de hoje, o Brasil corre risco em sua integridade territorial , arrastando junto a preocupação com a soberania nacional, é para lá portanto que os Quarteis do Exercito tem que ser deslocados. Não é o nosso caso, porquanto nosso inimigo (adversário), o criminoso, o traficante de drogas, o portador de fuzis, pistolas e granadas, os batedores de carteiras,os estupradores, os homicidas, os pedófilos, os ventanistas, os latrocidas, efetivos e potenciais, podem surgir a qualquer hora, e em qualquer parte de nosso território estadual, daí a necessidade de mantermos nossas bases operacionais (Quartéis) onde estão e, de acordo com a necessidade, nos articularmos e desdobrarmos cada vez mais em outros núcleos, alicerçados cientificamente pela Teoria dos Sistemas e Subsistemas;

5. Não é a lógica da ausência de recursos para manutenção física dos próprios estaduais. Seria risível, indigno, vergonhoso, vexatório e até assustador, pois, primeiro, todo orçamento sério e responsável teria obrigatoriamente que contemplar tal necessidade, e segundo, para onde o Comando fosse deslocado, sua nova sede (mesmo que fossem contêineres ciganos) teria que ser manutenido (despesas) com recursos públicos.

Enfim, não conseguimos vislumbrar dentro de um enfoque científico, qualquer suporte administrativo/técnico, tático ou estratégico que amparasse a iniciativa da venda do Quartel General da PMERJ.
Não conseguimos vislumbrar, em termos de respeito profissional ao homem e mulher Policial Militar e, sob a ótica não menos importante da funcionalidade das instalações PM, como um Comando obraria em sua missão diuturna de dirigir a vida de 70.000 homens e mulheres (a PMERJ busca esse efetivo) fardados e armados, com poder de vida e de morte sobre seus semelhantes, com necessidades logísticas monstruosas e terríveis, às quais, cada uma demanda no mínimo lugar salubre, seguro e compatível para apoiar a tropa com material bélico, almoxarifado, tesouraria, rancho, alojamento, salas de aula e pátios para permanente instrução, etc, além da necessidade de departamentalização ótima para um Estado Maior Geral, nas já acanhadas e acotoveladas, e também a necessitar melhorias, instalações do BPChq,sem falar que este, a qualquer momento poderá também entrar no frenesi das caixas registradoras das companhias imobiliárias (ainda bem que o BPChq, pelo menos em um primeiro momento, tombado está).
Não conseguimos igualmente, vislumbrar, como, além de responsabilizar-se pela Polícia Ostensiva, também preservar a Ordem Pública (Art. 144 da Constituição Federal), sem que tenhamos o mínimo de espaço físico para colocar nossos homens, periodicamente, como soe acontecer ao longo de 204 anos, em regime de sobreaviso, expediente prolongado, prontidão e ordem de marcha.
Não nos esqueçamos que distúrbios civis são cíclicos, o que está em ordem hoje, amanhã poderá não estar. Facilmente, independente de qualquer ideologia, nas grandes cidades principalmente, uma massa humana pode se transformar de aglomeração em multidão, daí em turba e turba multa, e nesses casos somente as Polícias Militares, por capitulação legal e constitucional bem como, competência profissional, adquirida ao longo de séculos do exercício da atividade , historicamente, tem conseguido evitar a afronta pela força desmedida e as graves perturbações da ordem pública, com o fito de enfraquecer, destruir e provocar a dissolução do Estado/Governo, evitando males inimagináveis.
Portanto aqueles que inadvertidamente tem criticado que Quartéis de Polícia são grandes, tem campos de futebol, ginásios de educação física, espaçosos alojamentos e Ranchos etc, estão a apostar no caos, nos massacres, nos grandes desastres, na morte coletiva de brasileiros por ocasião de distúrbios civis. Essas pessoas, seja por inocência, ignorância, desconhecimento, romantismo exacerbado ou caracterizada má fé são um mal para a população fluminense.

Finalmente, registramos, que estamos a ver sim, na venda do QG/PMERJ:

a. A lógica das 336 moedas,

b. A lógica do desamor institucional, da falta de corporativismo sadio e do desconhecimento total e absoluto a respeito de 204 anos de luta, prestação de serviço e proteção à Sociedade por parte da gloriosa Corporação Policial Militar,

c. A lógica da obediência ( a exemplo da venda da nossa ESPM – Escola Superior de Polícia Militar) à irrefreável sanha da especulação imobiliária, a atropelar, sepultar, destruir qualquer coisa que lhes ouse opor obstáculos na busca dos cada vez maiores ganhos, mesmo que sejam patrimonios públicos com legados  heróicos e históricos. Essas pessoas não tem compromisso com a história e nem com o sangue Policial Militar derramado. Nós, os Policiais Militares de sangue, temos.


Vamos encerrar companheiros, falando um pouco de história, honra e sentimento.

No espaço físico de solo pátrio denominado QG da PMERJ, localizado na Rua Evaristo da Veiga, nº 78, não ficam só sediadas as vetustas instalações do nosso Comando Geral.
Lá estão imersos e vagueantes também, os espíritos de brasileiros que para ali foram em outrora hospital, terem sua qualidade de vida melhorada.
Estão imersos e vagueantes os espíritos dos religiosos capuchinhos da Ordem dos Barbonos, que ali passavam suas longas vidas a conversar com Deus.
Lá está a 1ª muda de café plantada no Brasil.
Lá vagueiam os garbosos espíritos dos fundadores e mantenedores dos destinos da ínclita Irmandade Nossa Senhora das Dores, entre eles do Imperador Pedro II, fundador de sua Imperial Capela, erguida para homenagear os heróis da PM que lutaram na Guerra do Paraguai.
Lá estão imersos e vagueantes os espíritos do Marechal Vidigal, Comandante da Guarda Real de Polícia; do Brigadeiro Castrioto, 1° Comandante da Polícia Militar do antigo Estado do Rio de Janeiro; do Major Portugal, Conselheiro de Dom Pedro I; dos Coronéis Assunção e João José de Brito e todas as suas tropas, heróis da Guerra do Paraguai; do Duque de Caxias, que comandou a Polícia Militar durante 7 anos; do Marechal Hermes da Fonseca, Chefe do Estado Maior Geral e Comandante da PM e Presidente da República; dos saudosos Coronéis Carlos Magno Nazareth Cerqueira, Manoel Elisyo dos Santos Filho, Gonzaga, Vidal, Rangel, Barros,Vargas, e tantos outros brasileiros ilustres. E principalmente, por lá vagueiam também os ensanguentados espíritos e/ou as memórias ou ainda as claudicantes presenças físicas dos mais de 5.000 policiais militares mortos ou feridos, amputados, tetraplégicos, loucos, arruinados física e mentalmente em defesa da Sociedade Fluminense.
Principalmente por esses heróis sociais, pelo perceptível e permanente cheiro das gotas, ribeiros e igarapés de sangue, que a criminalidade fez brotar de suas veias por estarem defendendo os homens, mulheres e crianças de nosso Estado do Rio de Janeiro, sangue esse entranhado em cada grão de areia formador daquele divino solo, que não podemos desistir.
Queremos também que nossos espíritos por lá vagueiem, quando nossa hora chegar, até a eternidade, junto com nossos bicentenários heróis, temos esse direito.

O Quartel General da Rua Evaristo da Veiga n? 78 tem que continuar com a sua vocação de eternidade, para o bem de toda a população fluminense.

Nós, a Policia Militar, todos os nossos ancestrais e descendentes e demais cidadãos de nossa terra fluminense, e por extensão, a Nação brasileira, pelo que a PMERJ representa para a história do Brasil, precisamos de todo e qualquer centímetro quadrado do solo pátrio do Quartel General da PMERJ.
Ele é nosso !!!!! , não foram os homens, foi a história que nos deu.
Por isso somos contra, radicalmente contra, irreversivelmente contra a venda do QG/ PMERJ, e/ou qualquer outro patrimônio seu, sem a devida fundamentação administrativa/técnica, tática ou estratégica. Para isso contamos com o espírito patriótico de todo PM vivo ou morto.
Selva!!!!

Niterói, março de 2012.
WILTON SOARES RIBEIRO – Cel PM Ex -Cmt Geral

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