ESCANINHO DE RECORDAÇÕES
A PMERJ recebeu a missão de preservar a ordem pública durante os eventos do Rock In Rio III, no ano de 2001. Nossa missão era externa ( a principio) pois qualquer grande fato que saísse do controle dos responsáveis internos, irremediavelmente cairia no colo da Bicentenária. E não foram poucos casos. Sempre foi assim e sempre será.
O tempo era curto, mesmo assim meu Estado Maior Geral, sob a Chefia do incansável Cel Montenaro, devidamente apoiado pelos Comandos Intermediários da época, preparou um planejamento detalhado e primoroso.
Na época, nossa PM mesmo tendo perdido, graças ao malfadado Código de Trânsito Brasileiro em 1997, a competência para atuar no trânsito ( um desastre para a sociedade), foi para o terreno e através de seu garboso Batalhão de Transito e do Comando Intermediário de Policiamento de Transito, desincumbiu-se de planejamento técnico e ações de Policiamento especifico na área de controle e escoamento de trafego, plenamente elogiados a época.
Foram plotados vários PCTrans ( Postos de Controle de Trânsito) nas Áreas de Interesse e de Influencia da cidade do Rock, próximo ao Rio Centro. Havia pouca massa crítica para desenvolver o planejamento, tendo em vista que o Rock in Rio I, embora próximo ao local, havia sido implantado de maneira bem amadora e o Rock in Rio II tivera lugar no Maracanã.
Mas mesmo assim, a experiência genérica acumulada pela PM ao longo de seu 200 anos na participação de incontáveis planejamentos de Policiamento Extraordinário permitiram que a missão fosse cumprida a contento.
Além do controle do trânsito, dispusemos no terreno vários Check- Points visando monitorar, controlar e revistar pessoas e automóveis ou outros veículos, tudo obedecendo ao principio dos Círculos Concêntricos, até o objetivo final, onde além da Tropa normal de Policiamento, havíamos reservado substancial Tropa de reserva do Cmt Geral, enquadrando um PCL, ( Posto de Comando Local) a comando de um Cel Full, com autoridade sobre Forças de Choque, Cavalaria e Unidade de Cães Policiais.
Na rua lateral ao local principal, montamos a viatura do Cmt Geral que a DGAL havia providenciado, recém adquirida, batizada formalmente de PCMCG ( Posto de Comando Móvel de Charlie Golf). Juntos alguns Conteiners, Traylers e Viaturas lonadas para abrigarem a Tropa. O Posto de Radio foi montado no PCM. Lembro-me que em um Trayler próximo ao nosso funcionou a Corregedoria Unificada da SSP, a época com a presença da Promotora Selma que a chefiava. A munição de boca era fornecida pelo 31º BPM da Barra da Tijuca, através de marmitões e rações frias. O apoio de saúde era materializado através de nossos valorosos profissionais da DGS..
Na época , embora o planejamento logístico estivesse bem avançado para a criação de nossa Base Aérea, nós ainda não tínhamos o GAM TA ( Grupamento Aero-Marítimo Ten Antunes). Qualquer apoio aéreo que necessitássemos , administrativo ou operacional, tínhamos que nos reportar ao então CGOA, que nos colocava na fila de atendimento. Consegui que na maioria dos dias do evento uma aeronave sobrevoasse comigo o Teatro de Operações e após, me deixasse no local. Meu retorno foi sempre de viatura.
Tudo corria bem, pequenos furtos, jovens sendo atendidos por intoxicação por álcool ou outras drogas, perda de documentos, pequenos mal-entendidos por parte de Policiais Federais que estavam de folga e não queriam deixar suas armas no cofre que a Administração havia instalado na Portaria. Enfim, nada que pudesse apresentar sequer indícios de quebra da Ordem Pública.
Até que na Quinta Feira, dia 18 de Janeiro de 2001, em meu costumeiro voo de supervisão, senti que a massa humana que se dirigia para as bilheterias da Cidade do Rock, era bem maior do que o costume. Havia se adensado preocupantemente em volume e área de ocupação, com características totalmente diferentes dos dias anteriores.
Sobrevoei mais alguns minutos e desci com uma pulga atrás da orelha. Se os organizadores nos dias anteriores, em conjugação com a PM informavam públicos de 200 a 250 mil pessoas, do alto, pela minha experiência, eu conseguia vislumbrar entre 300 e 350 mil fãs do Rock in Rio., dirigindo-se célere, mas amorfamente para as portas do " inferno". Não imaginava que a cantora Britney Spers e os irmãos Sandy e Jr, previstos para aquela noite levariam tal público para o Rock in Rio III.
Logo após a aterrizagem , passei rapidamente pelo meu Posto de Comando Móvel, onde li os últimos relatórios, reuni alguns auxiliares e fui direto para a área das catracas das bilheterias.
Aprendi ao longo de minha vida de Policial de rua, a reconhecer as várias nuances oriundas do sussurro, murmúrios, altear de vozes, lancinância de gritos, rouquidão coletiva de vozes, tremor de terra pelo pés nervosos, predominância de verdadeiras vozes de comando etc, a caracterizarem o evoluir do status de uma aglomeração, para multidão, de multidão para turba e dela para turba-multa.. Olhei o relógio, faltavam 3 horas para iniciar-se o show. As filas em razão das reduzidas catracas arrastavam-se. Superficialmente fiz o primeiro cálculo e senti que não havia como aquela multidão em várias filas indianas passar para o interior da Cidade do Rock antes do show começar. Imediatamente determinei que 2/3 do Efetivo da Tropa de reserva se posicionasse junto as bilheterias. Os Seguranças contratados, que eram os responsáveis pelo gerenciamento das roletas já me olhavam com cara de preocupação.
Deixei o Cmt do 31º BPM, o saudoso Cel Fázio no local, peguei uma prancheta com o Sgt mais próximo, e fui a pé com alguns auxiliares até a metade do grosso das filas. Fiz cálculos mais técnicos sobre desenvolvimento de fluxo ( já tinha uns primeiros conceitos recebidos na PM, mas robusteci-os através de meu Curso de Engenharia).
Voltei com a prancheta molhada e prenhe de fórmulas matemáticas que me davam a certeza que o calculo de vazão de entrada havia sido mal feito. pelos responsáveis do espetáculo. Para aquela massa humana que ali estava , em um determinado tempo, aquela testada de catracas de bilheterias não atenderia de forma alguma. Olhei novamente para o relógio e vi que dessa vez quem estava molhado de suor era eu e não a prancheta. Senti que como Comandante de uma Instituição de Preservação de Ordem Pública, eu estava com um grande problema nas mãos. Nos dias anteriores não havia tido problemas por que o público tinha sido bem menor. Mas lá estava eu, tendo que colocar para dentro , por uma testada mínima de roletas, em 40 minutos, que era o tempo que faltava para o show começar, 250.000 mil pessoas já portadoras de considerável nível de estress.( calculei que 50.000 já haviam entrado, em passo de preguiçosa tartaruga).
Decidi enviar o Comandante Fázio ao interior do evento para narrar a situação aos responsáveis e solicitar aos mesmos que, caso necessário, adiassem por algum tempo, pouco tempo, achava eu , o inicio do show ( eu já havia previsto o que poderia acontecer se o show desse inicio, qual seria a reação daquela massa humana que ainda não havia conseguido entrar, sem que tivessem qualquer culpa por isso, afinal todos chegaram na hora determinada)). Após alguns minutos Fázio retornou pelo radio que os responsáveis alegaram que tinham compromisso com os conjuntos que estavam preparados para se apresentarem, bem como com transmissões nacionais e internacionais das emissoras de TV, e que por isso, de maneira nenhuma atrasariam o inicio do show. Foi então que tomei a primeira decisão: Com meu Efetivo PM os quais auxiliados pelos próprios Seguranças das bilheterias, determinei a retirada das mesmas , arrancando-as do chão , ao mesmo tempo que destruía alguns painéis de compensado que ao lado das bilheterias ainda mais fechavam a linha de entrada. A partir dai foi a braço . Linhas de Policia do Choque formavam uma grande boca onde antes eram as bilheterias, proporcionando um aumento em mais de 60% a vazão de passagem das pessoas para dentro do pátio inicial da Cidade do Rock. Mas não foi ainda o suficiente. Ainda tínhamos cerca de 100.000 pessoas do lado de fora. Olhei o relógio, eram 17 horas em ponto, inicio do Show. Um som metálico veio lá de dentro, Metais afrontosos e indisciplinadas baterias anunciavam o inicio do show. A partir dai foi fácil prestar atenção na voz nem tão rouca da então já MULTIDÃO, preparando-se para passar pra o estagio de TURBA e quem sabe TURBA MULTA. Aí tomei a segunda decisão, Chamei Fázio pelo, radio, e após a certeza que estava me ouvindo, disse-lhe: DIRIJA-SE PARA O PALCO PRINCIPAL DE ONDE SE ORIGINA O SOM, E PARE TUDO. A PARTIR DE AGORA TODO O LOCAL ESTÁ SOB MEU COMANDO. NENHUM SOM, NENHUM MOVIMENTO, NENHUMA AÇÃO QUE POSSA CARACTERIZAR QUE O SHOW ESTÁ COMEÇANDO. SÓ COMEÇA SOB MINHA ORDEM.
Silencio. Passados alguns minutos , Fázio no radio, Cmt estou tendo problemas , no inicio cumpriram , mas depois de ter chegado aqui o principal responsável pelo show, eles recomeçaram.
FÁZIO, É A ÚLTIMA VEZ QUE VOU FALAR, PRENDA TODOS, CONJUNTO, CANTOR, MÚSICO ,RESPONSÁVEL, QUALQUER UM QUE DESOBEDEÇA AS SUAS/MINHAS ORDENS, E SE HOUVER NECESSIDADE, DESTRUA A BASTÃO POLICIAL OU A TIROS OS INSTRUMENTOS.
Silencio. Passados alguns minutos, o Comandante Fázio informou que a situação estava sob controle e que o som só seria liberado mediante minha ordem.
Voltei minha atenção então para o grande problema, evitar que a energia gerada pela perda de controle da uma massa humana de 300.000, já agora menos de 50.000 pessoas destruíssem a exemplo do "estouro do cavalo doido" de infelizes experiências em Cadeias superlotadas, tudo que houvesse pela frente , inclusive elas mesmas. Cabe registrar que pela característica do show dos irmão Sandy e JR, uma quantidade imensa de crianças e pessoas idosas permeava significativamente em meio a essas 300.000 pessoas.
A partir dai foi fácil , as pessoas que ainda estavam de fora a essa altura já tinham certeza que o show só iniciaria quando os mesmos dentro estivessem. E foi o que aconteceu. Olhei o relógio, 1730h . Nenhuma pessoa do lado de fora. Apenas meia hora, eliminação de algumas barreiras físicas mal projetadas e a disposição para um combate forte contra inconsequentes vaidades foram suficientes para a PM evitar que uma desgraça de grandes proporções acontecesse.
Cabe registrar que em meio ao problema recebi telefonema do Sub-Secretario de Segurança, meu amigo Cel Lenine, o qual , sem saber que eu estava de corpo presente no local, queria, por ordem do Escalão Superior, que houvera sido contactado pelos responsáveis da Cidade do Rock, com as versões mais estapafúrdias possíveis contra o Cmt do Policiamento, saber o que estava acontecendo.
Ao ser informado que eu era o Cmt Local, mandou-me um grande abraço, parabenizou-me e desejou-me sorte , e que iria tranquilizar o Escalão Superior, pois a PM estava era cumprindo seu dever.
O dia amanheceu sem mais nenhum problema digno de registro. Fui para casa com a satisfação do dever cumprido e dormi o sono dos justos, embora em alguns momentos me visse em fragmentos de nebulosos sonhos, comendo cabeças de morcego, cavalgando uma grande onça pintada ao mesmo tempo que tocava guitarra e bebia sangue de harpia.
Segurança Pública/Selva/Defesa Institucional da PMERJ. Espaço criado para recordar momentos na vida de um policial, neste caso teremos o " Escaninho de Recordações". Destaque para a manutenção permanente do fator Selva e sua proteção, bem como também, artigos sobre Segurança Pública e Defesa Institucional de uma de nossas mais importantes instituições brasileiras, as Policias Militares, particularmente a PMERJ.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES......
INDIGNAÇÂO.....
Não tenham duvidas. Os 6, sim a partir de agora serão rotulados como "os seis", ficarão marcados, tatuados, eternamente como participantes do último estágio da degradação moral e profissional.
Foram legalistas, tecnicistas, tudo bem, mas NUNCA MAIS obterão a glória, o gozo supremo, sequer tangenciarão, o sagrado patamar da LEGITIMIDADE. Do Coletor de lixo, passando pelo Motorista de taxi, pelo Gerente de seus bancos, pelo Guarda da esquina, pela Florista da próxima barraca, diria até por seus auxiliares próximos, e principalmente por Aquele que tudo vê, e ouve, que tudo acompanha, seguirão seus indígnos passos, com asco e desprezo até que desçam em seus túmulos sem honra. Ainda bem que o principio da individualização da pena protege seus descendentes.
Viva a PPPMM!!!!, viva o Brassiilll!!!
Vamos em frente, a vida é bela e continua.....
Não tenham duvidas. Os 6, sim a partir de agora serão rotulados como "os seis", ficarão marcados, tatuados, eternamente como participantes do último estágio da degradação moral e profissional.
Foram legalistas, tecnicistas, tudo bem, mas NUNCA MAIS obterão a glória, o gozo supremo, sequer tangenciarão, o sagrado patamar da LEGITIMIDADE. Do Coletor de lixo, passando pelo Motorista de taxi, pelo Gerente de seus bancos, pelo Guarda da esquina, pela Florista da próxima barraca, diria até por seus auxiliares próximos, e principalmente por Aquele que tudo vê, e ouve, que tudo acompanha, seguirão seus indígnos passos, com asco e desprezo até que desçam em seus túmulos sem honra. Ainda bem que o principio da individualização da pena protege seus descendentes.
Viva a PPPMM!!!!, viva o Brassiilll!!!
Vamos em frente, a vida é bela e continua.....
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Solução parece coisa de refece....
Coisa de refece..../ Esperteza de "esperto". Pobre Policial Militar I e II. Lamentável, extremamente lamentável.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Vivvvaaa a PPMMMM e o PPMMM!!!!!
Vivaaaaa a PMMMM e o PMMMM. Segundo a Seção Justiça e Cidadania, pag. 11 do jornal O Dia de Hoje, 03/8/ 2013, veio a ordem de retirada do ignóbil quadro da parede do Gabinete do Juiz. Obrigado e parabéns ao Senhores Desembargadores. O bom senso e o respeito entre os Poderes Constitucionais voltam a prevalecer . " Vida que segue". Seeellvvaaa.


quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Pobre Policial Militar II / A Lança de Longinus do Século XXI
Pobre Policial Militar II.
1.No artigo postado ontem ( 27/8/2013- Terça -feira) com o título acima, onde se lê : "A ser verdade a notícia que corre no seio da Tropa....", leia-se: " É verdade real e absoluta que....". ;
2. Conforme o artigo publicado na página 22, do Jornal O Dia de hoje, dia 28/8/2013, Quarta feira, de autoria do Juiz de Direito do Poder Judiciário Fluminense, JOÃO BATISTA DAMASCENO lotado na 1ª Vara de Órfãos e Sucessões do Fórum Central e transcrita abaixo:
João Batista Damasceno: Pela cultura da paz
João Batista Damasceno: Pela cultura da paz
A truculência do Estado contra o exercício do direito constitucional de reunião, de ir e vir e de manifestação de pensamento, durante as ‘Jornadas de Junho’, estarreceu a todos
O Dia
Rio - A truculência do Estado contra o exercício do direito constitucional de
reunião, de ir e vir e de manifestação de pensamento, durante as ‘Jornadas de
Junho’, estarreceu a todos. Pior o é nas comunidades periféricas, onde a munição
disparada não é de borracha. A política de segurança pública militarizada tem
como alvo os pobres e excluídos, ‘inimigos internos’ sujeitos ao extermínio.
Instituída a pretexto de combate à criminalidade, a violência do Estado se destina ao controle social em benefício da classe que se aproveita da dominação. A militarização da política de segurança desconsidera o crime como fenômeno que permeia as relações em todas as sociedades. A pretexto de ‘guerra ao crime’, busca-se legitimar a truculência do Estado. O objetivo é admoestar os cidadãos.
O assassinato da juíza Patrícia Acioli é emblemático. Com ele se pretendeu chantagear toda a sociedade e mostrar do que a polícia do Estado é capaz. Os policiais que mataram a juíza não são os únicos responsáveis pelo homicídio. Também têm as mãos sujas aqueles que, antes, permitiram a ocorrência e os que, após, não tomaram as providências para exclusão dos condenados dos quadros da PM.
Havemos de repudiar a política de segurança pública militarizada, pelo que é imprescindível a extinção da Polícia Militar, a desmilitarização dos órgãos civis de segurança, o enquadramento da Guarda Municipal e a extinção da Justiça Militar Estadual, foro privilegiado no qual policiais militares são julgados por seus pares na presença de um juiz togado.
A obra do cartunista Carlos Latuff, retratando um homem negro pregado numa cruz e alvejado no peito pelo disparo do fuzil de um policial, colocada na sala de audiências da 1ª Vara de Órfãos e Sucessões do Fórum Central, evoca a violência do Estado contra o povo ao longo da história, notadamente contra os que falam de justiça, solidariedade, valorização do homem comum e respeito às mulheres. A obra de Latuff rememora as injustiças contra os excluídos, inclusive contra Amarildo.
Doutor em Ciência Política pela UFF e juiz de Direito. Membro da Associação Juízes para a Democracia

Instituída a pretexto de combate à criminalidade, a violência do Estado se destina ao controle social em benefício da classe que se aproveita da dominação. A militarização da política de segurança desconsidera o crime como fenômeno que permeia as relações em todas as sociedades. A pretexto de ‘guerra ao crime’, busca-se legitimar a truculência do Estado. O objetivo é admoestar os cidadãos.
O assassinato da juíza Patrícia Acioli é emblemático. Com ele se pretendeu chantagear toda a sociedade e mostrar do que a polícia do Estado é capaz. Os policiais que mataram a juíza não são os únicos responsáveis pelo homicídio. Também têm as mãos sujas aqueles que, antes, permitiram a ocorrência e os que, após, não tomaram as providências para exclusão dos condenados dos quadros da PM.
Havemos de repudiar a política de segurança pública militarizada, pelo que é imprescindível a extinção da Polícia Militar, a desmilitarização dos órgãos civis de segurança, o enquadramento da Guarda Municipal e a extinção da Justiça Militar Estadual, foro privilegiado no qual policiais militares são julgados por seus pares na presença de um juiz togado.
A obra do cartunista Carlos Latuff, retratando um homem negro pregado numa cruz e alvejado no peito pelo disparo do fuzil de um policial, colocada na sala de audiências da 1ª Vara de Órfãos e Sucessões do Fórum Central, evoca a violência do Estado contra o povo ao longo da história, notadamente contra os que falam de justiça, solidariedade, valorização do homem comum e respeito às mulheres. A obra de Latuff rememora as injustiças contra os excluídos, inclusive contra Amarildo.
Doutor em Ciência Política pela UFF e juiz de Direito. Membro da Associação Juízes para a Democracia

3. Com a palavra o Escalão Superior da PMERJ; a Bicentenária Arquiepiscopal Irmandade Imperial Nossa Senhora das Dores ( Igreja do QG) ; todos os Policiais Militares e seus Dependentes Católicos, Evangélicos, Espíritas, Budistas, Judaicos, Hinduístas, Ateus, do Brasil, individualmente ou através de seus Comandos e/ou Associações ; o MP; a Defensoria Pública; a OAB; a AIB, o Arcebispo Militar; o Arcebispo Civil; os Capelães das Policias Militares; o Papa Francisco e todos aquelas pessoas e órgãos que além de respeitarem Instituições Bicentenárias cujos componentes morrem como moscas na defesa de seus semelhantes, acreditam que uma das principais e talvez a principal característica necessária para o exercício da Magistratura seja a IMPARCIALIDADE;
4. Cabe registrar que talvez numa tentativa última de " ajeitar as coisas" o Sr Juiz diz, indiretamente, na matéria acima que a figura do quadro não é o Nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, e sim " um homem negro pregado numa cruz...". Ora por favor Excelência, respeite pelo menos a humilde inteligência dos dois milhões e oitocentos mil brasileiros que o Senhor ultrajou com a sua infeliz atitude, não brinque mais com coisa séria;
5. Finalmente, creio, que pelo, volume vulcânico e tsunâmico , físico, moral e emocional causado nas fileiras da Tropa e Dependentes das Policias Militares, somente duas atitudes poderiam amenizar tal infeliz ato do Magistrado contra a honra e as crenças religiosas castrenses Policiais Militares de todo o Brasil, quais sejam, por ordem de importância, ou uma ou outra:
. Desculpa pública logo após retirar o desonroso quadro da parede de seu Gabinete,
. Alguém tornar publico um Atestado em que o Sr Magistrado seja enquadrado como não mais estando sob o controle e domínio de suas faculdades mentais.
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Pobre Policial Militar.
A Policia Militar e a Lança do Destino. O Longinus do século XXI
A ser verdadeira a noticia que corre no seio da Tropa , que um representante do Poder Judiciário fluminense, teria em meio a uma manifestação de regozijo, colocado na parede de seu Gabinete de Trabalho um quadro representando Nosso Senhor Jesus Cristo, padecendo em sofrimento atroz por ter sido atingido por um tiro disparado da arma oficial de um Policial Militar fardado, aí sim creio estarmos celeremente rumando para o "fundo do poço" do desrespeito institucional.
Sr Juiz, se verdade for, por favor volte atrás imediatamente. Talvez o senhor não tenha alcançado
a profundidade de seu ignóbil ato. O Senhor não está só atingindo os Policiais Católicos do Estado do Rio de Janeiro, mas também os Policiais Militares que professam as religiões Evangélica, Espirita, Budista, Judaica, Hinduísta, etc e diria com toda certeza , até os Policias Militares Ateus, estarão se sentindo ultrajados. E vou mais além, o senhor está mexendo com o sentimento não dos 40.000 Policiais Militares da PM do Estado do Rio de Janeiro, mas com a crença e a honra de 500.000 Policiais Militares de todo o Brasil, e de todos os seus companheiro da inatividade e dependentes.
Ousaria informar-lhe que o Senhor estaria arrumando de cara, arbitrando-se mais 200.000 inativos e por conseguinte 2.100.000 dependentes, portanto um total 2.800.000 ( dois milhões e oitocentos mil ) brasileiros insatisfeitos com o Senhor, pela forma frívola, desrespeitosa e desonrosa como V Excia está a tratar os heróis sociais de nossa Pátria.
Senhor Juiz, por favor tire da cabeça esta ideia nefasta de imputar ao pobre mas honrado Policial Militar de nosso Estado essa infeliz, arbitraria e ditatorial ação de investigá-lo, identificá-lo, denunciá-lo, pronunciá-lo, prende-lo e recolhe-lo ao cárcere da história como o Longinus do Século XXI.
E tem mais, tornar-se inimigo de uma hora para outra de 2.800.000 ( dois milhões e oitocentos mil) seres humanos do bem é uma coisa, o pior é se o Senhor de Todos os Exércitos ver a imagem e também não gostar. Ai sim, não gostaria de estar na pele do Senhor.

A ser verdadeira a noticia que corre no seio da Tropa , que um representante do Poder Judiciário fluminense, teria em meio a uma manifestação de regozijo, colocado na parede de seu Gabinete de Trabalho um quadro representando Nosso Senhor Jesus Cristo, padecendo em sofrimento atroz por ter sido atingido por um tiro disparado da arma oficial de um Policial Militar fardado, aí sim creio estarmos celeremente rumando para o "fundo do poço" do desrespeito institucional.
Sr Juiz, se verdade for, por favor volte atrás imediatamente. Talvez o senhor não tenha alcançado
a profundidade de seu ignóbil ato. O Senhor não está só atingindo os Policiais Católicos do Estado do Rio de Janeiro, mas também os Policiais Militares que professam as religiões Evangélica, Espirita, Budista, Judaica, Hinduísta, etc e diria com toda certeza , até os Policias Militares Ateus, estarão se sentindo ultrajados. E vou mais além, o senhor está mexendo com o sentimento não dos 40.000 Policiais Militares da PM do Estado do Rio de Janeiro, mas com a crença e a honra de 500.000 Policiais Militares de todo o Brasil, e de todos os seus companheiro da inatividade e dependentes.
Ousaria informar-lhe que o Senhor estaria arrumando de cara, arbitrando-se mais 200.000 inativos e por conseguinte 2.100.000 dependentes, portanto um total 2.800.000 ( dois milhões e oitocentos mil ) brasileiros insatisfeitos com o Senhor, pela forma frívola, desrespeitosa e desonrosa como V Excia está a tratar os heróis sociais de nossa Pátria.
Senhor Juiz, por favor tire da cabeça esta ideia nefasta de imputar ao pobre mas honrado Policial Militar de nosso Estado essa infeliz, arbitraria e ditatorial ação de investigá-lo, identificá-lo, denunciá-lo, pronunciá-lo, prende-lo e recolhe-lo ao cárcere da história como o Longinus do Século XXI.
E tem mais, tornar-se inimigo de uma hora para outra de 2.800.000 ( dois milhões e oitocentos mil) seres humanos do bem é uma coisa, o pior é se o Senhor de Todos os Exércitos ver a imagem e também não gostar. Ai sim, não gostaria de estar na pele do Senhor.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013
A História do CAVEIRÃO ( Parte 6 )
ESCANINHO DE RECORDAÇÕES
Para aqueles que, ao ouvirem a Canção do Policial Militar da PMERJ, ainda sentem um furacão de emoções percorrer seu corpo, fazendo-o ratificar de maneira inquestionável sua sábia decisão de haver se tornado Policial Militar.
A história do CAVEIRÃO ( 6ª Parte )
Continuação.
Um longo período de 6 anos se passou, de 1993, quando deixei o Comando do BOPE ( Batalhão de Operações Policiais Especiais), até a assunção da Chefia do Estado Maior Geral ( Ch EMG ), em 1999 . Cabe registrar que nessa época, obedecendo ao principio básico da Administração Clássica que o Comando é uno e indivisível , bem como o planejamento deve ser centralizado e a execução descentralizada, a Chefia do EMG era exercida por um único Oficial, não havendo separação sob a forma de EMG Operacional e EMG Administrativo.
Durante esse período, em que exerci atividades de Comando no 12º BPM, ESPM ( Escola Superior de Policia Militar) , CPI ( Comando de Policiamento do Interior) e Direção na DGEI ( Diretoria Geral de Ensino e Instrução), tive oportunidade de estudar muito a respeito de Viaturas Blindadas, bem como exercitar-me na nobre missão de combater inclementemente a criminalidade e aos criminosos violentos, armados com armas de guerra e entrincheirados em posições a cavaleiro em terrenos para eles taticamente mais vantajosos. Cada vez mais me convencia, e sentia na carne a necessidade da Tropa da PM em possuir um " colete à prova de balas coletivo", que ao mesmo tempo protegesse as carnes dos Policiais Militares dos tiros de fuzis permitisse como uma " cabeça de aríete" romper obstáculos e conduzir uma pequena fração ( Patrulha de Combate), sob fogo inimigo a cotas mais superiores de um morro, para que a partir daí, viesse a cavaleiro em conduta de patrulha, de cima para baixo, permitindo que logo após, viesse o grosso das forças da lei, de baixo para cima, progredindo em condições táticas mais favoráveis, através de uma cortina de ferro e fogo bem menor ( coisa de herói, não precisa falar).
Chega 1998. Comandava o CPI, que à época tinha sob sua responsabilidade toda a área do interior do Estado, isto é, subtraindo a Capital e a Baixada, cabia ao Comando de Policiamento do Interior prover segurança para mais de 80 Municípios fluminenses.
Eis que o Poderoso Senhor de Todos os Exércitos permitiu, e o Cel Sérgio da Cruz operacionalizou através de convite formal, minha ascensão ao Cargo mais emblemático de nossa
Corporação, o de Chefe do Estado Maior Geral- Ch EMG. Era a honra máxima que cobria os ombros do Oficial PM, durante 174 anos, tendo em vista que de 1809 até 1983, este era o Cargo maior consentido legalmente a um Coronel de Policia Militar.
Como não poderia deixar de ser, o tema " Viatura Blindada" volta a pauta em minha cabeça. Logo em uma das primeiras reuniões gerais na SSP ( Secretaria de Segurança Pública ), após ter assumido o Cel PM Josias Quintal o cargo de Secretario, fui representando o Sr Cmt Geral Cel Sérgio da Cruz. Presentes várias Autoridades Estaduais , bem como o representante da recém-criada SENASP ( Secretaria Nacional de Segurança Pública), o General Serra.
A pauta era extensa e variada. O tópico relativo a logística ocupou bom tempo. A mensagem do Governo Federal era a de apoiar as PM com recursos já conhecidos de todos nós, viaturas, coletes, rádios, na época já se falava bastante em câmeras de vigilância, etc. Não poderia perder aquela chance. Na primeira oportunidade fiz ver ao Sr General representante da SENASP que de fato estávamos precisando de todos aquele itens, mas havia um que não tinha sido enumerado, e que para nós da PM do Estado do Rio de Janeiro era prioritário e fundamental, ou seja VBTP/T, Viaturas Blindadas de Transporte de Pessoal/Tropa. Nominei o material, e logo após fiz uma explanação detalhada e creio quase completa das justificativas, abordando principalmente o tipo de criminoso, as armas de guerra que utilizavam, a disposição tática do terreno favorável para eles, os demais artefatos bélicos em suas mãos, contrabandeadas do mundo inteiro, que estavam a dizimar nosso Combatentes Urbanos. Deixei bem claro que estávamos a enfrentar técnicas e táticas de uma verdadeira guerra urbana, dai a necessidade de sermos dotados de Viaturas Blindadas.
Prossegui, e diante do estupefacto representante federal da SENASP, apresentei dados estatísticos de Policiais Militares mortos e feridos por balas oriundas de armas de guerra e conclui com um candente pedido para que nos fossem cedidas, a principio, Viaturas Blindadas URUTU e/ou CASCAVEL, já não mais usadas pelas FA, deixando bem claro, que , evidentemente, despojadas de seus armamentos pesados ( lanças -rojão, metralhadoras .50 e canhões 106 ) que usualmente guarneciam aquelas VTR. Enfim, queríamos apenas as "chapas de aço sobre rodas", as carcaças, para que nos metêssemos dentro delas com nossos acanhados armamentos ( à época) e pudéssemos cumprir nossa missão de combate aos criminosos , em seus acidentados terrenos, contra suas mortíferas armas de guerra, contrabandeadas voluptuosamente por nossas fronteiras secas , molhadas, aéreas , portos, aeroportos e estradas federais, tais como AR-15, M-16 , SIG, AK-47, HK-G3, FAL, FAP, RUGER, NORINCO, USI, DESERT, HOT KISS, Brown . 30, Granadas defensivas, Minas anti-carro e anti - pessoal, etc. E, logicamente, com menos mortes de Policiais Militares.
Após minha explanação, da estupefactação, o representante da SENASP, passou para uma cordial, mas muito agitada atitude, na qual se contrapôs a todos os meus argumentos, e demonstrando, infelizmente, total desconhecimento da situação a respeito do poderio bélico dos traficantes de drogas em nosso Estado, informou que não poderia encaminhar tal pedido às instâncias superiores e que achava que eu talvez estivesse supervalorizando um pouco a respeito do quadro de situação em que eu abordei o uso de armamento de guerra em nossa área, e que tendo em vista isso não julgava de nenhuma necessidade sermos dotados de Viaturas Blindadas de Transporte de Tropa.
Concluída a reunião, após respeitosamente este Oficial ter apresentado firme tréplica, retornei ao meu Quartel General.
Ao chegar, o Sr Cmt Geral já me esperava. Dando a impressão que estava superficialmente informado a respeito do desenrolar da reunião, perguntou se havia ocorrido alguma alteração entre eu e o Gen Serra, representante da SENASP. É que havia recebido um telefonema do Escalão Superior, informando-o sobre isso e pedindo mais dados.
Fiz um detalhado relatório verbal ao Comandante, narrando exatamente o que se passou, registrando inclusive o estado de ânimus de extrema cordialidade que permeou toda a reunião, o que não impediu no entanto que pontos de vista firmemente alicerçados na experiência e conhecimento técnico fossem debatidos. O Cmt Geral se tranquilizou e até apoiou a minha ideia de implantar as VBTP em nossa Corporação, tendo em vista principalmente a ferocidade dos criminosos que era de nossa responsabilidade combater. No entanto me pediu que teríamos que encontrar melhor momento para desenvolvermos o projeto, e , como disse daria total apoio.
Mais uma vez o impiedoso e incontrolável fator tempo, tomou nos seu alvos e pontiagudos dentes de sabre, as filigranadas e nervosas rédeas e acelerou sua veloz montaria, sem que nada de concreto a respeito do tema BLINDADO acontecesse naquele período.
Cabe registrar apenas, como fato coadjuvante desta fase, as baldadas tentativas informais que fiz junto a Unidades do Exercito e Fuzileiros Navais, no sentido da PMERJ receber pelo menos algumas carcaças de URUTUS e/ou CASCAVÉIS, não mais em uso , já que a legislação não nos permitia comprá-los novos. E outra coisa, tinha certeza que nosso heróis do CMM ( Centro de Manutenção de Material ) fariam miséria na recuperação de tais carcaças, colocando-as novinhas em folha, totalmente em condições de uso, mais uma vez repito, sem suas armas ofensivas, somente as carcaças de aço.
Nada feito. Luz no final do túnel com respeito ao assunto VBTP/T, só no segundo semestre do ano de 2000, ocasião em que assumi o Comando Geral da Corporação. ( Continua na próxima e última parte ).
Para aqueles que, ao ouvirem a Canção do Policial Militar da PMERJ, ainda sentem um furacão de emoções percorrer seu corpo, fazendo-o ratificar de maneira inquestionável sua sábia decisão de haver se tornado Policial Militar.
A história do CAVEIRÃO ( 6ª Parte )
Continuação.
Um longo período de 6 anos se passou, de 1993, quando deixei o Comando do BOPE ( Batalhão de Operações Policiais Especiais), até a assunção da Chefia do Estado Maior Geral ( Ch EMG ), em 1999 . Cabe registrar que nessa época, obedecendo ao principio básico da Administração Clássica que o Comando é uno e indivisível , bem como o planejamento deve ser centralizado e a execução descentralizada, a Chefia do EMG era exercida por um único Oficial, não havendo separação sob a forma de EMG Operacional e EMG Administrativo.
Durante esse período, em que exerci atividades de Comando no 12º BPM, ESPM ( Escola Superior de Policia Militar) , CPI ( Comando de Policiamento do Interior) e Direção na DGEI ( Diretoria Geral de Ensino e Instrução), tive oportunidade de estudar muito a respeito de Viaturas Blindadas, bem como exercitar-me na nobre missão de combater inclementemente a criminalidade e aos criminosos violentos, armados com armas de guerra e entrincheirados em posições a cavaleiro em terrenos para eles taticamente mais vantajosos. Cada vez mais me convencia, e sentia na carne a necessidade da Tropa da PM em possuir um " colete à prova de balas coletivo", que ao mesmo tempo protegesse as carnes dos Policiais Militares dos tiros de fuzis permitisse como uma " cabeça de aríete" romper obstáculos e conduzir uma pequena fração ( Patrulha de Combate), sob fogo inimigo a cotas mais superiores de um morro, para que a partir daí, viesse a cavaleiro em conduta de patrulha, de cima para baixo, permitindo que logo após, viesse o grosso das forças da lei, de baixo para cima, progredindo em condições táticas mais favoráveis, através de uma cortina de ferro e fogo bem menor ( coisa de herói, não precisa falar).
Chega 1998. Comandava o CPI, que à época tinha sob sua responsabilidade toda a área do interior do Estado, isto é, subtraindo a Capital e a Baixada, cabia ao Comando de Policiamento do Interior prover segurança para mais de 80 Municípios fluminenses.
Eis que o Poderoso Senhor de Todos os Exércitos permitiu, e o Cel Sérgio da Cruz operacionalizou através de convite formal, minha ascensão ao Cargo mais emblemático de nossa
Corporação, o de Chefe do Estado Maior Geral- Ch EMG. Era a honra máxima que cobria os ombros do Oficial PM, durante 174 anos, tendo em vista que de 1809 até 1983, este era o Cargo maior consentido legalmente a um Coronel de Policia Militar.
Como não poderia deixar de ser, o tema " Viatura Blindada" volta a pauta em minha cabeça. Logo em uma das primeiras reuniões gerais na SSP ( Secretaria de Segurança Pública ), após ter assumido o Cel PM Josias Quintal o cargo de Secretario, fui representando o Sr Cmt Geral Cel Sérgio da Cruz. Presentes várias Autoridades Estaduais , bem como o representante da recém-criada SENASP ( Secretaria Nacional de Segurança Pública), o General Serra.
A pauta era extensa e variada. O tópico relativo a logística ocupou bom tempo. A mensagem do Governo Federal era a de apoiar as PM com recursos já conhecidos de todos nós, viaturas, coletes, rádios, na época já se falava bastante em câmeras de vigilância, etc. Não poderia perder aquela chance. Na primeira oportunidade fiz ver ao Sr General representante da SENASP que de fato estávamos precisando de todos aquele itens, mas havia um que não tinha sido enumerado, e que para nós da PM do Estado do Rio de Janeiro era prioritário e fundamental, ou seja VBTP/T, Viaturas Blindadas de Transporte de Pessoal/Tropa. Nominei o material, e logo após fiz uma explanação detalhada e creio quase completa das justificativas, abordando principalmente o tipo de criminoso, as armas de guerra que utilizavam, a disposição tática do terreno favorável para eles, os demais artefatos bélicos em suas mãos, contrabandeadas do mundo inteiro, que estavam a dizimar nosso Combatentes Urbanos. Deixei bem claro que estávamos a enfrentar técnicas e táticas de uma verdadeira guerra urbana, dai a necessidade de sermos dotados de Viaturas Blindadas.
Prossegui, e diante do estupefacto representante federal da SENASP, apresentei dados estatísticos de Policiais Militares mortos e feridos por balas oriundas de armas de guerra e conclui com um candente pedido para que nos fossem cedidas, a principio, Viaturas Blindadas URUTU e/ou CASCAVEL, já não mais usadas pelas FA, deixando bem claro, que , evidentemente, despojadas de seus armamentos pesados ( lanças -rojão, metralhadoras .50 e canhões 106 ) que usualmente guarneciam aquelas VTR. Enfim, queríamos apenas as "chapas de aço sobre rodas", as carcaças, para que nos metêssemos dentro delas com nossos acanhados armamentos ( à época) e pudéssemos cumprir nossa missão de combate aos criminosos , em seus acidentados terrenos, contra suas mortíferas armas de guerra, contrabandeadas voluptuosamente por nossas fronteiras secas , molhadas, aéreas , portos, aeroportos e estradas federais, tais como AR-15, M-16 , SIG, AK-47, HK-G3, FAL, FAP, RUGER, NORINCO, USI, DESERT, HOT KISS, Brown . 30, Granadas defensivas, Minas anti-carro e anti - pessoal, etc. E, logicamente, com menos mortes de Policiais Militares.
Após minha explanação, da estupefactação, o representante da SENASP, passou para uma cordial, mas muito agitada atitude, na qual se contrapôs a todos os meus argumentos, e demonstrando, infelizmente, total desconhecimento da situação a respeito do poderio bélico dos traficantes de drogas em nosso Estado, informou que não poderia encaminhar tal pedido às instâncias superiores e que achava que eu talvez estivesse supervalorizando um pouco a respeito do quadro de situação em que eu abordei o uso de armamento de guerra em nossa área, e que tendo em vista isso não julgava de nenhuma necessidade sermos dotados de Viaturas Blindadas de Transporte de Tropa.
Concluída a reunião, após respeitosamente este Oficial ter apresentado firme tréplica, retornei ao meu Quartel General.
Ao chegar, o Sr Cmt Geral já me esperava. Dando a impressão que estava superficialmente informado a respeito do desenrolar da reunião, perguntou se havia ocorrido alguma alteração entre eu e o Gen Serra, representante da SENASP. É que havia recebido um telefonema do Escalão Superior, informando-o sobre isso e pedindo mais dados.
Fiz um detalhado relatório verbal ao Comandante, narrando exatamente o que se passou, registrando inclusive o estado de ânimus de extrema cordialidade que permeou toda a reunião, o que não impediu no entanto que pontos de vista firmemente alicerçados na experiência e conhecimento técnico fossem debatidos. O Cmt Geral se tranquilizou e até apoiou a minha ideia de implantar as VBTP em nossa Corporação, tendo em vista principalmente a ferocidade dos criminosos que era de nossa responsabilidade combater. No entanto me pediu que teríamos que encontrar melhor momento para desenvolvermos o projeto, e , como disse daria total apoio.
Mais uma vez o impiedoso e incontrolável fator tempo, tomou nos seu alvos e pontiagudos dentes de sabre, as filigranadas e nervosas rédeas e acelerou sua veloz montaria, sem que nada de concreto a respeito do tema BLINDADO acontecesse naquele período.
Cabe registrar apenas, como fato coadjuvante desta fase, as baldadas tentativas informais que fiz junto a Unidades do Exercito e Fuzileiros Navais, no sentido da PMERJ receber pelo menos algumas carcaças de URUTUS e/ou CASCAVÉIS, não mais em uso , já que a legislação não nos permitia comprá-los novos. E outra coisa, tinha certeza que nosso heróis do CMM ( Centro de Manutenção de Material ) fariam miséria na recuperação de tais carcaças, colocando-as novinhas em folha, totalmente em condições de uso, mais uma vez repito, sem suas armas ofensivas, somente as carcaças de aço.
Nada feito. Luz no final do túnel com respeito ao assunto VBTP/T, só no segundo semestre do ano de 2000, ocasião em que assumi o Comando Geral da Corporação. ( Continua na próxima e última parte ).
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